Um crescente número de pessoas está deixando comunidades poligâmicas depois de lutar com éditos e abusos, disseram ontem grupos sem fins lucrativos que lidam com comunidades fundamentalistas em Utah.
Quando elas deixam as sociedades fechadas, elas frequentemente entram num mundo novo e estranho — com poucos recursos.
"Viver a poligamia é um estilo de vida desafiador. Abandonar a poligamia é desafiador", disse Shelli Mecham, coordenadora do Comitê Safety Net, uma coalizão de funcionários do governo, grupos se serviço social, ativistas, ex-membros e membros ativos de grupos fundamentalistas criado para fornecer recursos para vítimas de abuso dentro de comunidades poligâmicas.
O grupo, apoiado pelo Centro de Apoio à Família, realizou uma conferência sexta-feira para assistentes sociais, terapeutas e outros funcionários do governo , para que eles aprendam a lidar com pessoas que enfrentam abusos e outros problemas dentro de uma sociedade isolada. Ex-membros de alguns dos grupos poligâmicos compartilharam suas histórias sobre como suportaram anos de abuso e encontraram forças para sair.
Tonia Tewell, diretora do grupo sem fins lucrativos Holding Out Help, disse que viu um aumento estável de pessoas abandonando a Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (FLDS, na sigla em inglês), na divisa entre os estados do Arizona e de Utah. Ela disse que isso acontece por causa dos éditos cada vez mais bizarros sendo elaborados pelo líder da Igreja FLDS, Warren Jeffs, que está preso.
"Warren provavelmente está mais no comando hoje do que jamais esteve. He vai cair como um mártir", disse ela à emissora de TV FOX 13. "Ele não morreu oficialmente mas está definitivamente mais poderoso hoje do que nunca".
Jeffs está servindo prisão perpétua, mais de 20 anos de cadeia, numa prisão do Texas por agressão sexual a crianças. Tewell disse que o êxodo estável de pessoas que escolhem deixar ou são expulsos está sobrecarregando os recursos de seu grupo.
"Uma vez que você é expulso, você perde sua família, você perde seus amigos, você perde toda a sua estrutura de apoio, sua religião, você sai com as roupas nas costas e, se tiver sorte, seus filhos", disse. "É de partir o coração".
Num entrevista para a FOX 13 sexta-feira, a principal testemunha num processo criminal contra Jeffs sugeriu que a descriminalização da poligamia pode ajudar a quebrar o ciclo de abusos.
"Acho que possivelmente criaria algumas soluções interessantes para os problemas", disse Elissa Wall. "E permitiria para as pessoas que escolhem viver desse modo sair do armário e começar a ter um impacto geracional nas pessoas que são educadas".
Wall tinha 14 anos quando foi forçada a casar com seu primo numa cerimônia presidida por Jeffs. Ela testemunhou contra ele num caso que levou à sua condenação numa acusação de estupro como cúmplice. A condenação de Jeffs foi derrubada pela Suprema Corte de Utah.
"A poligamia é o grande véu que acoberta abuso infantil, falta de educação, abuso contra esposas, abuso físico, mental, todas essas coisas diferentes...", disse Wall ontem.
Nos anos desde que Jeffs foi condenado, Wall tem sido franca sobre os abusos dentro da poligamia, incluindo casamento com menores de idade. Ela disse que continua trabalhando com pessoas que vivem em casamentos plurais e com aquelas que escolheram deixar o estilo de vida. Wall disse que seu foco agora não é a poligamia em si, mas em parar com o abuso e impedir que crianças sejam prejudicadas.
Ela disse que a descriminalização da poligamia pode criar um ambiente de "consentimento informado", onde pessoas escolheriam se querem viver nesse estilo de vida, acabando com gerações de sigilo.
"Se [a poligamia] for descriminalizada e você der a homens e mulheres o direito de escolha, você criaria um ambiente muito mais saudável tanto para a própria comunidade quanto para as pessoas vivendo nela", disse Wall à FOX 13. "Porque as pessoas poderiam entrar e sair se escolherem. Mais do que qualquer coisa, minha crença pessoal é que criando essa fundação para um estilo de vida poligâmico saudável é o único modo que vamos impactar a juventude. É o único modo que vamos protegê-la".
Algumas das pessoas que ainda vivem — e acreditam — no princípio do casamento plural insistem que a descriminalização permitiria às pessoas relatarem abertamente potenciais abusos sem temer que a família inteira fosse processada.
"As pessoas estão com medo de virem à tona porque têm medo dos processos e isso, em alguns casos, impedem as pessoas de relatarem às autoridades sobre alguns potenciais abusos", disse uma mulher chamada Leslie, uma autodenominada mórmon fundamentalista.
Heidi Foster, membro da Sociedade Cooperativa do Condado de Davis, disse que os esforços de mobilização como o Comitê Safe Net só podem ajudar se as pessoas ainda temerem que a família inteira vai ser processada.
"Queremos contribuir com a sociedade. Queremos ser amigos de nossos vizinhos. Até que não sejamos considerados criminosos, não nos sentimos que realmente temos a oportunidade de servir nossa comunidade da maneira que queremos", disse.
O Gabinete do Procurador Geral de Utah tem uma política de longa data de não processar polígamos por causa de questões relacionadas à liberdade de religião. Mas os promotores têm acusado pessoas por bigamia em conjunto com outros crimes, como abuso e fraude.
O gabinete do procurador geral disse que a descriminalização é algo que os polígamos deveriam levar a seus legisladores. Alguns polígamos, recentemente, tem feito lobby na Assembléia Legislativa de Utah num esforço para levar os legisladores a considerarem a idéia.
Um processo judicial aberto pelo polígamo Kody Brown e suas esposas contestando a proibição do estado de Utah à poligamia está, atualmente, sendo questionado num tribunal federal. Kody e sua família são as estrelas do reality show Sister Wives, exibido, nos EUA e no Brasil, pelo canal por assinatura TLC.
Com informações do site da emissora de TV FOX 13.
Poligamia: união conjugal de uma pessoa com várias outras. Poliginia: estado de um homem casado simultaneamente com várias mulheres. Poliandria: estado de uma mulher casada simultaneamente com vários homens. Poliamor: prática, desejo ou aceitação de ter mais de um relacionamento íntimo simultaneamente com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos, não devendo no entanto ser confundido com pansexualidade. (Fontes: Dic. Houaiss/Wikipedia)
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sábado, 8 de junho de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
Família polígama faz lobby pela descriminalização da poligamia em Utah (EUA)
Joe Darger e sua esposa, Vicki, andaram pelo Capitólio cumprimentando legisladores como qualquer outro cidadão lobista.
O que eles estão pedindo que seus legisladores façam é um pouco diferente: descriminalizar a poligamia.
"O modo como estamos perseguindo um grupo religioso em particular de pessoas é errado", disse Joe Darger. "É morralmente errado, é eticamente errado, e precisamos olhar para isso. Não está funcionando há 150 anos e precisamos mudar isso".
Darger, um polígamo com três esposas — Vicki, Valerie e Alina —, espera conseguir que legisladores comecem a considerar a ideia da descriminalização. Ele e Vicki vieram para o Capitólio do Estado de Utah carregando cópias de um livro que eles escreveram sobre sua família, intitulado Love Times Three (Amor Vezes Três) e as entregaram a legisladores que pararam para conversar com eles.
"Nesse momento, é ilegal para mim dar a entender que sou casado", disse Darger á Fox 13, afiliada da rede de TV americana Fox News. "Simplesmente por alegar que ela é minha esposa, sou ocnsiderado um criminoso".
A ação de Darger ocorre enquanto um processo judicial está sendo julgado na Corte Distrital dos EUA em Salt Lake City, Utah, que poderia fazer o mesmo. O polígamo Kody Brown e suas quatro esposas, estrelas do reality show Sister Wives, do canal por assinatura TLC, estão questionando a proibição do Estado de Utah à poligamia. Um juiz federal pode se pronunciar sobre o assunto a qualquer momento.
"Não estamos buscando reconhecimento legal. Não estamos buscando licensas de casamentos múltiplos", disse Darger. "Esse tipo de preocupação não ocorre. Estamos apenas dizendo: vamos descriminalizar um grupo de pessoas que não são animais."
Vicki Darger disse que espera que os legisladores pelo menos considere a perspectiva de sua família.
"Não esperamos que as pessoas concordem moralmente conosco, mas esperamos que vejam nossa plataforma e com o que estamos comprometidos e nos ajudem a lutar por nossos direitos e levantem pelos direitos que deveríamos ter, como todo cidadão tem", disse.
Com o caso da família Brown pendente, ativistas antipoligamia também estão se manifestando. Mais cedo, naquele mesmo dia, a recém-formada "Sound Choices Coalition" estava distribuindo panfletos a legisladores exortando-os a defender as leis antibigamia de Utah.
Os Darger insistem que, se a poligamia fosse descriminalizada, as pessoas se sentiriam mais livres para relatar abusos que tem sido associados com seu estilo de vida.
"Há tanto segredo que se passa simplesmente porque é contra a lei", disse Vicki Darger.
Legisladores procurados pela Fox 13 sobre a ideia de se descriminalizar a poligamia rapidamente se recusaram a comentar o assunto. Numa recente entrevista com repórteres, a deputada Rebecca Lockhart (PR-Provo) disse que simplesmente não há apetite entre os legisladores para até mesmo considerar a ideia.
Darger, que é um delegado republicano em Herriman, disse que não iria desistir.
"Não estamos iludidos", disse. "Essa é uma longa batalha. Não é sobre se, mas quando. Mas parte disso também é um processo político e a legislatura pode mudar isso - e deveria mudar isso".
As informações são do site do canal Fox 13.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Juiz considera descriminalizar poligamia em processo de família do reality show "Sister Wives"
| Kody Brown e suas esposas: a partir da esquerda, Janelle, Meri, Robyn e Christine (Foto: Nigel Parry/People Magazine) |
Kody Brown e suas esposas, Mery, Janelle, Christine e Robyn, estão processando o Estado numa contestação aos estatutos antipoligamia de Utah. Eles argumentam que as leis de Utah criminalizam seu relacionamento — apesar de eles serem adultos responsáveis.
"O que os Brown estão buscando é o que muitas famílias tomam como certo", disse o advogado da família, Jonathan Turley, a repórteres do lado de fora do tribunal, quinta-feira.
A família começou a ser investigada pelas autoridades do Condado de Utah depois que começaram a aparecer no reality show Sister Wives, do canal por assinatura TLC. Eles nunca foram indiciados, mas argumentam que foram colocados sob uma "nuvem de suspeita" pela polícia da cidade de Lehi. Os Brown argumentam que os estatutos antipoligamia de Utah viola seus direitos de liberdade de expressão e livre associação.
"Há dezenas de milhares de famílias no Estado que vive sob essa condenação", disse Turley. "De que são criminosos por causa de como vivem".
Advogados do Estado de Utah argumentaram de que têm o direito de proteger o casamento.
"Não há tribunal algum nesse país que tenha decidido que a prática da poligamia seja um direito fundamental", argumentou o Procurador-Geral Adjunto de Utah, Jerrold Jensen.
Mas Jensen enfrentou uma linha de questionamento agressiva do Juiz Distrital Clark Waddoups, que citou a decisão da Suprema Corte Lawrence vs Texas, que discriminalizou conduta sexual entre adultos responsáveis. Jensen pareceu fazer distinção entre um homem com múltiplas amantes e alguém que pretende estar casado, como os polígamos.
"Como isso protege o casamento?", perguntou Waddoups. "Como você acredita que adultos responsáveis assumindo um compromisso uns com os outros é prejudicial à instituição do casamento?"
Jensen disse que há abusos dentro da poligamia e o Estado tem o direito de interferir. Waddoups contra-atacou dizendo que há leis para lidar com os abusos associados com a poligamia.
"O estatuto antipoligamia lida com mais do que adultos responsáveis", Jensen disse aos repórteres do lado de fora do tribunal. "Toda vez que você tem uma união polígama, você tende a ter crianças. Crianças se tornam parte da equação. Eles são muito mais um fator nisso e muitas das histórias de terror envolvendo a poligamia tendem a envolver crianças".
Há um número estimado de 30 mil polígamos em Utah e em suas redondezas, a maior parte fundamentalistas mórmons que acreditam que a poligamia é um princípio religioso.
Turley disse que os Brown não estão buscando licensas de casamento ou a legalização de seus relacionamentos, mas não serem incomodados pelo Estado. Ele notou que a lei antipoligamia de Utah é única porque as leis de bigamia de outros Estados lidam apenas com licenças de casamento. A lei de Utah, que data da época em que o território precisou abandonar a poligamia como condição para se tornar um Estado, criminaliza relacionamentos.
"Eles estão falando sobre minha vida", disse Valerie Darger, uma esposa de uma família polígama, em entrevista à emissora de TV local FOX 13. "A diferença sobre o que estamos pedindo é o direito de existir e o direito de não sermos incomodados. Estamos buscando licenças de casamento e, assim, no que se refere ao casamento legal, isso realmente não interessa".
Darger e sua "sister wife", Vicki, estiveram presente na audiência. Também estiveram ativistas antipoligamia como Kristyn Decker, uma ex-esposa polígama que deixou um relacionamento 11 anos atrás. Ela fundou um grupo que se opõe à poligamia e liderou um protesto para chamar atenção aos abusos de casamentos com crianças dentro de algumas comunidades polígamas.
"Sentimos que se descriminalizarem a poligamia, as violações dos direitos humanos que têm acontecido por tanto tempo, vão continuar", disse Decker.
O Juiz Waddoups levou em conta os argumentos e não disse quando tomaria uma decisão. Ambos os lados disseram que apelariam de qualquer decisão ao 10º Tribunal de Apelações em Denver. Observadores legais disseram á FOX 13 que o caso provavelmente iria até a Suprema Corte dos EUA para consideração.
Na noite de quinta-feira, Kody Brown divulgou um comunicado através de seu advogado, dizendo:
Em nome de toda a família Brown, quero agradecer ao Juiz Waddoups por essa oportunidade de argumentar os méritos de nosso caso. Entendemos que esse é um momento histórico para todas as famílias plurais e estamos honrados por servirmos demandantes nesta ação. Somos especialmente gratos pelo apoio de nosso advogado, o Professor Jonathan Turley, Adam Alba, os estudantes da Universidade George Washington, e os muitos apoiadores que têm se levantado ao nosso lado durante o curso dessa litígio. Tem sido difícil para nós e estamos aliviados por ver o caso chegar aos argumentos finais. Permanecemos comprometidos com esta causa de direitos civis e com a luta de famílias plurais, tanto religiosas quanto não-religiosas, no Estado. Esperamos que os moradores de Utah possam entender que nossa família – como dezenas de milhares neste Estado – está buscando apenas permissão para viver de acordo com suas crenças e não ser declarados criminosos apenas porque somos diferentes.Com informações da emissora de TV FOX 13.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Novo procurador-geral de Utah não vai processar praticantes de poligamia consensual
O procurador-geral eleito do estado norte-americano de Utah disse que não tem planos de processar adultos responsáveis que praticam a poligamia, mas ele é a favor da lei que torna a poligamia crime.
John Swallow, que vai tomar posse dia 07 de janeiro, disse ao jornal The Salt Lake Tribune que está preocupado sobre abuso doméstico, fraude e abuso infantil, mas, como procurador-geral, não vai processar "parceiros [polígamos] cumpridores da lei".
Em todos os Estados Unidos, há cerca de 38.000 pessoas em relacionamentos polígamos, muitos em Utah.
Swallow disse que Utah não pode se dar ao luxo de processar todos os que participam de casamentos polígamos ou lidar com as consequências desses relacionamentos, acrescentando que vai continuar com as políticas sobre poligamia de seu antecessor, Mark Shurtleff.
Swallow disse que vai defender a contestação da proibição da poligamia no Estado.
Alguns ativistas anti-poligamia dizem que o Estado poderia fazer mais para lutar contra os abusos dentro de grupos polígamos.
"Eu definitivamente tenho sentido frustração e raiva do que eu sinto que tem sido ignorado por tempo demais: (...) o abuso sob a forma e nome da religião", disse Kristyn Decker, que passou sua infância na denominação Irmãos Apostólicos Unidos e escreveu o livro "50 Years in Polygamy".
John Swallow, que vai tomar posse dia 07 de janeiro, disse ao jornal The Salt Lake Tribune que está preocupado sobre abuso doméstico, fraude e abuso infantil, mas, como procurador-geral, não vai processar "parceiros [polígamos] cumpridores da lei".
Em todos os Estados Unidos, há cerca de 38.000 pessoas em relacionamentos polígamos, muitos em Utah.
Swallow disse que Utah não pode se dar ao luxo de processar todos os que participam de casamentos polígamos ou lidar com as consequências desses relacionamentos, acrescentando que vai continuar com as políticas sobre poligamia de seu antecessor, Mark Shurtleff.
Swallow disse que vai defender a contestação da proibição da poligamia no Estado.
Alguns ativistas anti-poligamia dizem que o Estado poderia fazer mais para lutar contra os abusos dentro de grupos polígamos.
"Eu definitivamente tenho sentido frustração e raiva do que eu sinto que tem sido ignorado por tempo demais: (...) o abuso sob a forma e nome da religião", disse Kristyn Decker, que passou sua infância na denominação Irmãos Apostólicos Unidos e escreveu o livro "50 Years in Polygamy".
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