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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Quatro pessoas, cinco casais: conheça a rotina dos 'poliafetivos'

Do lado superior esquerdo, em sentido horário - Sarah,
Chris, Charlie e Tom. Tom tem um relacionamento há
cinco anos com Sarah, que tem um noivo, Chris.
Chris tem uma relação com Charlie, e as duas mulheres
também são amantes. Na mesma casa vivem quatro
pessoas que formam cinco casais, adeptos do chamado
poliamor.
Charlie está sentada em um sofá ao lado do marido, Tom, na casa do casal na cidade de Sheffield, no Reino Unido. Eles são casados há seis anos.

Do outro lado de Tom, no mesmo sofá, está Sarah, que tem um relacionamento há cinco anos com Tom. O noivo de Sarah, Chris, está na cozinha, fazendo chá.

Chris também tem uma relação com Charlie, e as duas mulheres também são amantes. Então, na mesma casa vivem quatro pessoas que formam cinco casais.

"Planejamos envelhecer juntos", afirma Charlie.

Os quatro estão envolvidos em um relacionamento "poliafetivo", que é a prática de manter relacionamentos íntimos simultâneos com mais de uma pessoa por vez, com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos.

O termo em inglês para "poliamor" ("poliamory") entrou no dicionário Oxford apenas em 2006. Trata-se de um tipo de relacionamento que ainda tão raro no Reino Unido que, em algumas ocasiões, Tom precisa dar explicações sobre sua vida pessoal.

"Tive muitas conversas com colegas nas quais eu comecei a explicar e eles só chegaram até (o ponto onde falam) 'então todo mundo trai todo mundo' e nunca consegui passar disso. Eu disse que não, todo mundo está bem com isso, todo mundo sabe o que está acontecendo, ninguém está enganando ninguém", afirmou.

Veto

Se algum deles quer se envolver com outra pessoa, terá que apresentar o caso aos outros três e todos têm poder de veto ao novo relacionamento.

"Não podemos usar o veto por motivo tolo, como por exemplo, gosto pessoal", afirmou Sarah. "Se você está saindo com alguém e eu não entender a razão de você achar a pessoa atraente, isto não será razão para eu falar não, você não pode sair com esta pessoa."

Todos afirmam que a única coisa que é encarada como infidelidade é a mentira.

"Por exemplo: antes de eu ir neste primeiro encontro ontem, me sentei com cada um dos meus três parceiros e chequei com cada um deles se estava tudo bem. Trair seria (algo como) eu sair escondida, dizendo que ia me encontrar com um amigo X e não dizer que era um parceiro romântico em potencial."

As regras e limites do relacionamento entre os quatro são negociados cuidadosamente.

E tudo começou duas semanas depois de Tom e Charlie se transformarem em um casal, quando Tom sugeriu que eles não fossem mais monógamos e, para Charlie, esta foi uma ótima ideia.

"Eu tinha medo de me comprometer pois nunca tinha encontrado alguém por quem eu pudesse me apaixonar completamente e exclusivamente. A ideia de esta não ser uma relação monógama permitiu que eu me apaixonasse profundamente por Tom sem medo de partir seu coração ao me apaixonar por outra pessoa", disse.

E, para Charlie, o fato de Tom ter se apaixonado por outra mulher, Sarah, não foi tão ruim.

"Bem, Sarah é adorável. Fiquei tão feliz por Tom estar feliz com ela", disse.

Mas Sarah teve problemas para contar para seu noivo, Chris, que tinha se apaixonado por Tom.

"Nós conversamos sobre isto e o que significava estar apaixonada por mais de uma pessoa e isto não significava que eu o amava menos. (...) Não é como seu eu tivesse uma quantidade de amor para dar apenas para uma pessoa. Posso amar quantas pessoas couberem no meu coração e acontece que são algumas", afirmou Sarah.

Chris e Tom acabaram ficando amigos, e Chris se apaixonou por Charlie.

"Nunca passou pela cabeça do Chris não ser monógamo - agora ele fala que nunca voltará atrás", disse Sarah.

Gerenciamento e segurança

O dilema de como gerenciar um relacionamento é algo que a terapeuta de casais Esther Perel presencia o tempo todo.

"Você pode viver em uma instituição monógama e você pode negociar a monotonia, ou você pode viver uma escolha não monógama e negociar o ciúme. Escolha seu mal", disse.

Mas, para Charlie, Sarah e Tom o ciúme não é um problema.

"Sempre há uma pequena quantidade de insegurança", diz Sarah, lembrando como se sentiu quando seu noivo se apaixonou por Charlie. "Mas compare meu pequeno incômodo com a enorme quantidade de amor que posso ver nos dois e, honestamente, senti que eu seria uma pessoa muito ruim se eu falasse que meu incômodo era mais importante que a felicidade deles."

Charlie afirma que o ciúme é gerenciado de forma diferente neste tipo de relacionamento. O motivo do ciúme não pode simplesmente ser cortado dos relacionamentos das pessoas envolvidas, o motivo do ciúme precisa ser analisado. E, algumas vezes, as conversas entre eles duram a noite toda.

"Nós conversamos muito mais do que fazemos sexo", conta Charlie, rindo.

Mas algumas pessoas apontam que é natural para os humanos se unirem em pares.

Segundo Marian O'Connor, terapeuta psicossexual no Centro para Relacionamentos de Casais de Tavistock Square, em Londres, o desejo de monogamia tem raízes profundas.

"Quando crianças precisamos de alguém que nos ame muito para poder progredir. Normalmente há uma pessoa que cuida da criança, geralmente a mãe. O relacionamento monógamo pode te dar um sentimento de certeza, um lugar onde você pode se sentir seguro e em casa", afirmou.

Agenda

"Na minha opinião é apenas um problema (o "poliamor") se sinto que um de meus parceiros está passando mais tempo com os outros parceiros do que comigo", disse Sarah.

Mas tudo é resolvido com a ajuda de uma agenda, que controla as noites de encontro.

"O casal que está em um encontro escolhe qual filme ver na TV e ajuda a controlar quem está em qual quarto", disse Charlie.

"Então, por exemplo, eu tenho uma noite semanal com Charlie. Então somos nós duas juntinhas, nós com a TV, nós indo para a cama juntas e tudo mais", disse Sarah.

Para a terapeuta de casais Esther Perel o "poliamor" é a "próxima fronteira".

"Temos uma geração que diz: nós também queremos relacionamentos estáveis, comprometimento e segurança, mas também queremos satisfação pessoal. Vamos ver se podemos negociar monogamia ou não monogamia de uma forma consensual que evite a destruição e a dor da infidelidade", disse.

Mas não é uma decisão simples. "A pessoas te olham de uma forma estranha na rua", diz Sarah, enquanto que Charlie diz que está se preparando para comemorar 30 anos sendo ridicularizada pelas pessoas. "Cada vez que você revela (a opção pelo "poliamor"), corre o risco de perder um amigo", diz.

Tom adota um otimismo cauteloso sobre a possibilidade que esse tipo de relacionamento se torne mais popular.

"Qualquer um que espere alguma grande mudança social de um dia para o outro está terrivelmente enganado, mas (a mudança) vai acontecer", disse.

Mas, enquanto a mudança não vem, os quatro estão planejando uma ceremônia não oficial para marcar o comprometimento entre eles.
Fonte: UOL Notícias

terça-feira, 25 de junho de 2013

Defensora do poliamor diz que o casamento gay "abre o caminho" da igualdade no casamento

É improvável que decisões da Suprema Corte sobre o casamento tenham impacto direto no status da poligamia e de outros relacionamentos com várias pessoas

A Suprema Corte dos EUA pode decidir a qualquer momento sobre contestações a duas leis que impedem o reconhecimento legal de casamentos de pessoas do mesmo sexo - a Lei de Defesa do Casamento (federal) e a Proposição 8, aprovada por eleitores da Califórnia - mas defensores de casais poliamorosos dizem que a "igualdade no casamento" para esse grupo minoritário é improvável num futuro imediato.

Anita Wagner Illig, uma porta-voz de longa data da comunidade poliamorosa que opera o grupo Poliamor Prático, não está certa do impacto direto de uma decisão que legalizaria o casamento de pessoas do mesmo sexo em todo o país.

Até recentemente, ela notou, "a comunidade poliamorosa expressou pouco desejo pelo casamento legal", mas agora mais opções parecem possíveis no futuro. "Nós poliamorosos estamos gratos por nossos irmãos e irmãs [LGBT] por abrirem o caminho da igualdade no casamento", disse Illig.

Illig acredita que na verdade há uma "ladeira escorregadia" com respeito ao reconhecimento legal da poligamia se a corte decidir em favor do casamento de pessoas do mesmo sexo no país inteiro, um argumento tipicamente invocado por detratores do casamento gay. "Um resultado favorável pela igualdade no casamento é um resultado favorável ao casamento com múltiplos parceiros porque a oposição não pode argumentar falta de precedentes para legalizar o casamento para outras formas de relacionamentos não-tradicionais", disse.

Mas Illig reconhece, "haverá um monte de reorganização necessária do sistema legal para estabelecer igualdade no casamento para casamentos com mais de duas pessoas. Um casamento de duas pessoas do mesmo sexo requer muito menos em termos de adaptação dos sistemas atuais, tais como Previdência Social, por exemplo, para acomodá-lo".

"É difícil prever" os efeitos colaterais legais possíveis das decisões da Suprema Corte" já que [os casos são] sobre reconhecimento oficial ao invés de criminalização", disse Jonathan Turley, professor de Direito da Universidade George Washinton, ao U.S. News.

Turley representa a família Brown, composta de quatro esposas e um marido, em sua contestação à lei de coabitação do estado de Utah. A família Brown estrela o reality show Sister Wives, do canal por assinatura TLC, que registra a vida diária da família, como também sua ida de Utah para Nevada depois que autoridades locais começaram a vigiá-los e abertamente considerar acusações criminais contra eles.

"Não há razão para que a decisão tenha impacto sobre a poligamia e particularmente sobre o caso da família Brown em Utah", disse Turley. "Polígamos estão onde casais homossexuais estavam antes de 2003 e da decisão Lawrence vs. Texas", um caso que derrubou leis contra relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo, disse. "Nossa contestação é sobre a criminalização de relacionamentos plurais, não o reconhecimento de tais relacionamentos".

Numa entrevista datada de março com o NPR, Turley disse que muitas famílias polígamas são como os Brown. "Elas são muito modernas. As mulheres acreditam no divórcio. Elas vivem em cidades. Elas têm empregos. Mas são tratadas como criminosas", disse.

Pesquisas mostram que a aprovação de relacionamentos poliamorosos é baixa. Uma pesquisa do instituto Gallup realizada no mês passado descobriu que 59 por cento dos americanos considerava relações homossexuais moralmente aceitáveis, comparado com uma aprovação de apenas 14 por cento da poligamia.

Ao contrário da família Brown, que pertence a uma denominação mórmon fundamentalista, a base do relacionamento de Illig não é religiosa. Ela tem um marido que também tem uma namorada.

"Eu queria certamente buscar o casamento com múltiplos parceiros", disse. "Ele eliminaria um desafio comum que poliamorosos enfrentam quando duas [pessoas] estão legalmente casadas e outros em seus relacionamentos grupais não são parte daquele casamento".

As informações são do site U.S. News.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

As relações poliamorosas podem prosperar?

A psicoterapeuta alemã Heike Melzer considera o poliamor como "um jogo de equilíbrio que custa muita energia e que implica muito valor

Amar apenas uma pessoa: o poliamor não acredita nesse conceito. A filosofia do poliamor parte do suposto de que cada ser humano pode amar e desejar mais de uma pessoa. Aqui não se trata de acumular a maior quantidade possível de experiências eróticas, senão de viver autênticas relações de amor. Isso pode funcionar? Os casais poliamorosos são capazes de superar seus ciúmes?

A psicoterapeuta alemã Heike Melzer considera o poliamor como um "jogo de equilíbrio que custa muita energia e que implica muito valor". E o poliamoroso entra em um terreno novo, inseguro, muito longe do modelo de relação romântica monogâmico.

Christopher Gottwald, da Associação Rede de Poliamorosos, tem 42 anos e desde mais de 12 anos mantêm uma relação poliamorosa com Heike. Eles vivem juntos há nove anos e têm três filhos. Os dois tem mais parceiros. Claro que às vezes sentem ciúmes, mas não querem impor restrições a seu par, assegura Christopher.

Gabriele Aigner, terapeuta sexual e para casais, sempre escuta apenas histórias de pessoas poliamorosas cujas relações não funcionam bem. Aigner vê com ceticismo o poliamor. "Sempre haverá pessoas que querem experimentá-lo, mas a única coisa importante é que as pessoas envolvidas se sintam bem".

No entanto, muitos acham difícil aceitar que estejam sozinhos em casa enquanto a parceira se encontra com outro homem ou outra mulher. "Não se pode evitar que alguém de imaginar o que a parceira está fazendo com a amante ou o amante", disse Aigner. A longo prazo, isso não pode funcionar bem, opina a terapeuta. Segundo ela, na maioria dos casos, tudo chega a uma fase em que os casais estão experimentando com várias relações, mas ao final a maioria volta à monogamia.

Silvio Wirth, de 42 anos, decidiu fazer uma nova tentativa monogâmica. Este psicólogo e administrador de uma página sobre poliamor vive com sua noiva há dez anos e faz quase dois que voltou à monogamia. "Simplesmente queríamos voltar a nos centrar na relação principal. Tínhamos muito pouco tempo um ao outro". Quando Silvio tinha 23 anos, ele se apaixonou por duas mulheres e buscou uma solução para resolver a situação. O poliamor lhe pareceu uma possibilidade adequada. "É uma vida amorosa muito rica e multifacetada", disse. No entanto, ele considera que os casais devem formular regras para que possa funcionar.

A principal máxima consiste em começar unicamente uma relação com cada pessoa que pense exatamente da mesma forma. "Não se chega a nenhuma parte se apenas um crê na monogamia e em algum momento tenta afastar o amor de seu parceiro", argumenta Wirth.

O poliamor não é um conceito que implique em tirar proveito de uma pessoa, sublinha a psicoterapeuta Heike Melzer. O que os poliamorosos buscam, explica, não é apenas satisfazer seus impulsos sexuais, mas também lhes interessa muito o amor, o compromisso e a confiança. As mulheres, por exemplo, buscam homens que as vejam como pessoa e não apenas por seu corpo.

Mas como explicar um relacionamento com vários parceiros aos pais, amigos e colegas? "Se você encontrou algo que te preenche e te faz sentir feliz, deve aceitá-lo com satisfação", disse Heike Melzer.

As informações são do site Vanguardia.

sábado, 16 de março de 2013

Primeiro ministro holandês deve apresentar projeto de casamento grupal


Um ex-primeiro ministro holandês que esteve por trás da primeira legislação de casamento de pessoas do mesmo sexo no mundo, e levado à Nova Zelândia por apoiadores do projeto de lei de casamento de pessoas do mesmo sexo, admitiu que casamentos grupais de três ou mais pessoas é o próximo passo.

Numa entrevista em vídeo com uma revista online gay francesa, Boris Dittrich, um ex-primeiro ministro holandês e ativista gay que agora trabalha para a Human Rights Watch, disse que a redefinição de casamento levou a discussões sobre permitir casamentos grupais de três ou mais pessoas. "Mas isso é o começo de algo completamente novo." Ele reconheceu que esse próximo passo "vai levar muitos anos". A Holanda foi o primeiro país no mundo a permitir o casamento de pessoas do mesmo sexo em 2001.

Ele disse que, nos países onde foi criada, legisladores que defender o casamento gaycomeçaram o processo prometendo que "parcerias civis" era o máximo a que chegariam, e que o casamento permaneceria intocado – as mesmas promessas feitas na Nova Zelândia em 2004. "Pensamos que poderia ser psicologicamente melhor primeiro introduzir parcerias registrada", e que uma vez "que as pessoas se acostumassem com a idéia de dois homens ou duas mulheres indo à municipalidade, tivessem seu relacionamento reconhecido pela lei. E as pessoas chamaram isso de 'casamento gay'. (...) Então o próximo passo da igualdade do casamento, e realmente sendo igual, foi um passo lógico".

Ele admitiu a cunha mais eficaz para levar a idéia perante o público foi "concentrar-se nos princípios de igualdade e não-discriminação".

"Sea definição de casamento foi extendida para permitir casamento de pessoas do mesmo sexo, e apenas o casamento de pessoas do mesmo sexo, poderia então se argumentar que estamos discriminando contra aqueles que buscam casamentos grupais ou polígamos – se tudo o que importa é o amor e o compromisso. Por que a discriminação contra esses adultos amorosos seria ok? Eles podem estar ilegais agora, mas não faz muito tempo, casamentos de pessoas do mesmo sexo também era ilegal, e nos dizem que uniões civis eram suficientes e o casamento não seria tocado", diz Bob McCoskrie, Diretor Nacional da Family First NZ.

Ativistas do Partido Verde na Austrália acabaram de estabelecer o Lobby de Ação Poliamor, que está requerendo que o Parlamento permita o casamento polígamo. Dois estudos do governo lançados pelo Departamento de Justiça do Canadá em 2001 e 2006 recomentaram a descriminalização da poligamia, com um argumentando que a mudança era justificada pela necessidade de atrair mais imigrantes islâmicos especializados. O governo tem resistido ao chamamento até agora.

Em seu comunicado de 2006 "Além do Casamento de Pessoas do Mesmo Sexo, Uma Nova Visão Estratégica Para Todas as Nossas Famílias e Relacionamentos", mais de 300 estudiosos e defensores "LGBT e aliados" — incluindo professores proeminentes da Ivy League — pediram reconhecimento legal de relacionamentos sexuais envolvendo mais de dois parceiros.

"Neozelandeses precisam saber para onde o debate sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo está indo", diz o senhor McCoskrie.

As informações são do site Scoop News.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Palestra Poliamor e Psicologia - Universidade Évora, Portugal

A palestra "Poliamor e Psicologia" foi realizada a 28 de fevereiro de 2012, organizada pelo NEPUE (Núcleo de Estudantes de Psicologia da Universidade de Évora) e contou com Daniel Cardoso e Carla Sofia Correia como representantes do grupo PolyPortugal.

Cerca de 70 alunos de Psicologia e outros cursos assistiram à palestra (bem como outras pessoas), que se focou na importância de conhecer a identidade poliamorosa para os profissionais da psicologia e para os investigadores nesta área.

Para mais informações, consultar o blog polyportugal.blogspot.com ou o site www.danielscardoso.net.

sábado, 22 de dezembro de 2012

União poliafetiva não é inconstitucional, diz advogado

O advogado Erick Wilson Pereira, doutor em Direito Constitucional pela PUC de São Paulo, afirmou que não há inconstitucionalidade no registro em Cartório de Notas da inusitada união poliafetiva entre um homem e duas mulheres que há três anos vem dividindo a mesma casa, no município paulista de Tupã. Na semana passada, os três resolveram oficializar o relacionamento amoroso por meio de uma escritura pública feita em um cartório daquela cidade.

Segundo o jurista, no Direito Constitucional o registro em cartório representa apenas uma declaração de vontade para a formação de um núcleo afetivo. Ele lembrou que situações semelhantes ocorrem com muita frequência no interior do país, principalmente na região nordeste. "Não há nenhum tipo de inconstitucionalidade porque o Estado não interfere na vida privada das pessoas. Por isso, nem mesmo o Ministério Público pode entrar com qualquer ação na justiça para desconstituir o registro", afirmou Erick Pereira.

Erick Pereira explicou que no Brasil a união afetiva tem natureza monogâmica. O concubinato não recebe proteção do Direito de Família, porém no Direito Civil, se a terceira pessoa comprovar contribuição e esforço poderá gerar uma indenização pelos serviços do tempo convivido. Agora, no Direito Constitucional a liberdade de escolher permite essa união. Não há inconstitucionalidade. É uma opção onde o Estado não pode interferir, afirmou.

Ele lembrou que, Inclusive, o Tribunal Constitucional da Alemanha já afastou a intervenção do Estado em caso similar. A família é aquilo que você deseja e não o Estado, concluiu.

As informações são da Revista Consultor Jurídico.

domingo, 26 de agosto de 2012

União estável registrada por três não tem valor, diz advogada

O reconhecimento da união estável de um homem e duas mulheres pelo cartório da cidade de Tupã, no interior de São Paulo, não tem valor jurídico. Isso porque as leis brasileiras prevêem que a entidade familiar só pode existir entre duas pessoas, diz a presidente da Comissão do Direito da Família do Instituto dos Advogados de São Paulo, Regina Beatriz Tavares da Silva.

A tabeliã que fez o registro, Cláudia do Nascimento Domingues, disse que a declaração é uma forma de garantir os direitos de família entre os três, que já vivem juntos.

Qualquer juiz vai dizer que isso não vale nada, não produz nenhum efeito em Direito de Família. No máximo, como uma sociedade em uma junta comercial, critica a advogada Regina Beatriz.

A advogada lembra, ainda, que o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça têm entendimento pacífico sobre essa questão. A Justiça entende que poliamor ou poliafeto não gera efeitos de direito de família. Portanto, não constitui uma família a relação entre duas mulheres e um homem ou entre dois homens e uma mulher. Essa escritura é igual a um papelucho. De nada servirá a essas três pobres pessoas que a custearam.

Levantamento da jurisprudência do STJ e STF mostra que somente diante de separação de fato no casamento ou de dissolução da união estável, é que pode ser constituída outra união estável, o que tornaria inviável uma união estável entre três pessoas. Com informações da Assessoria de Imprensa do IASP.

Com informações do site Consultor Jurídico.