Em 24 de setembro de 1890, confrontados com a destruição eminente de sua igreja e modo de vida, líderes mórmons relutantemente emitiram o "Manifesto Mórmon", no qual mandaram todos os Santos dos Últimos Dias apoiarem as leis anti-poligamia da nação. Os líderes mórmons não tinham muita escolha: se não abandonassem a poligamia, enfrentariam a confiscação federal de seus templos sagrados e a revogação de direitos civis básicos a todos os mórmons.
Seguidores de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias vinham praticando a doutrina do "casamento plural" desde a década de 1840. A melhor evidência disponível sugere que o fundador da igreja, Joseph Smith, começou a tomar esposas adicionais em 1841 e historiadores estimam que ele eventualmente se casou com mais de 50 mulheres. Por um tempo, a prática foi mantida em segredo, embora rumores de poligamia generalizada tivesse inspirado muito do ódio e da violência inicial contra os mórmons em Illinois. Depois de estabelecer seu novo estado teocrático centrado em Salt Lake City, os élderes da igreja confirmaram publicamente que o casamento plural era uma crença central mórmon em 1952.
A doutrina era claramente unilateral: as mulheres mórmons não podiam se casar com múltiplos homens. Nem todo homem mórmon podia participar. Apenas aqueles que demonstrassem níveis anormalmente elevados de dignidade espiritual e econômico eram autorizados a praticar o casamento plural e a Igreja também requeria que a primeira esposa desse seu consentimento. Como resultado dessas barreiras, relativamente poucos homens mórmons tinham múltiplas esposas. As melhores estimativas sugerem que homens com duas ou mais esposas compunham apenas de 5 a 15 por cento da população da maioria das comunidades mórmons.
Apesar de apenas uma pequena minoria dos mórmons praticarem o casamento plural, muitos líderes da igreja estavam muito relutantes a abandoná-la, argumentando que fazer isso destruiria o modo de vida mórmon. Ironicamente, no entanto, o chamado do Manifesto Mórmon pelo fim da poligamia na verdade pavimentou o caminho para uma cooperação maior entre mórmons e gentios e pode muito bem ter ajudado a assegurar a vitalidade duradoura da religião.
Poligamia: união conjugal de uma pessoa com várias outras. Poliginia: estado de um homem casado simultaneamente com várias mulheres. Poliandria: estado de uma mulher casada simultaneamente com vários homens. Poliamor: prática, desejo ou aceitação de ter mais de um relacionamento íntimo simultaneamente com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos, não devendo no entanto ser confundido com pansexualidade. (Fontes: Dic. Houaiss/Wikipedia)
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terça-feira, 24 de setembro de 2013
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
TLC estreia novo reality show sobre poligamia
O canal pago americano TLC está se preparando para apresentar seus telespectadores a uma nova família polígama. Mas se você pensa que essa é apenas uma nova versão do reality show Sister Wives, você pode ser agradavelmente surpreendido pela reviravolta do programa sobre os valores poligâmicos.
O especial de uma hora My Five Wives vai estrear no dia 15 de setembro às 21h00. A série vai apresentar uma família polígama que abandonou a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais conhecida como Igreja Mórmon, em protesto a suas crenças conservadoras.
Como só o TLC sabe fazer, o sucesso do especial pode levar a uma série.
Brady Williams, suas cinco esposas e um total de 24 filhos, moram próximo a Salt Lake City. Eles acreditam em todo tipo de ideias progressistas que não são compartilhadas pela Igreja Mórmon, incluindo igualdade para todos e um Deus que aceita a todos.
Evitados por seus antigos irmãos da Igreja, a família diz que são polígamos por escolha e não apenas por causa de uma doutrina religiosa.
Produzido pela Relativity Television, a série também vai mais fundo nos relacionamentos da família que Sister Wives. Câmeras foram permitidas nos quartos e as mulheres falam abertamente sobre seus horários com Brady.
Para ler descrições sobre os participantes do especial, clique aqui.
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quarta-feira, 31 de julho de 2013
Lista de discussão no Yahoo! Grupos
Grupo para discussões de questões sobre poligamia baseada no cristianismo. Como esse tema aparece frequentemente em listas mórmons e parece causar muita discórdia, esta lista irá proporcionar um local para discussão desse tema.
Temos uma política de não permitir que cópias de postagens desta lista sejam usadas contra usuários (ou não-usuários) desta lista de qualquer maneira. Este não é um fórum público, é o mesmo que minha sala de estar. O que é discutido aqui não sai daqui. (Isso também significa que somos gentis uns com os outros ou corremos o risco de sermos dobrados no sofá-cama.)
Este grupo não é especificamente para líderes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ou qualquer outra religião organizada e qualquer informação obtida desta lista não pode ser usada por conselhos disciplinares sob qualquer condição.
Se você não concorda com essas políticas - por favor, saia da lista.
Se você tem quaisquer dúvidas que você não tem coragem de perguntar ao grupo, sinta-se livre para me mandar um e-mail privado. Por favor, inclua uma breve explicação de quem você é quando fizer isso.
A lista de usuários do grupo está disponível apenas para mim, então não se preocupe sobre outras pessoas verem quem você é - a menos que você poste e assine com seu nome, como alguns de nós. :-)
Apesar das políticas definidas aqui, por favor, esteja ciente de que não podemos impedir seu Bispo de excomungá-lo por postar aqui. Sinto muito.
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quarta-feira, 17 de julho de 2013
Quênia avança para a legalização da poligamia
Um projeto de lei que introduz mudanças profundas nas leis que governam a instituição matrimonial no Quênia acaba de ser introduzido no Parlamento desse país africano.
O projeto contempla a legalização da poligamia, sempre e quando a esposa ou esposas anteriores deem seu consentimento por escrito.
A lei também estabelece a divisão igualitária entre as esposas dos bens adquiridos no matrimônio quando este termina.
Uma cláusula controversa que proibia impor um preço às noivas – ou o pagamento de uma soma em dinheiro para a família da noiva por parte do noivo – foi eliminada.
As informações são do portal da emissora de TV britânica BBC.
O projeto contempla a legalização da poligamia, sempre e quando a esposa ou esposas anteriores deem seu consentimento por escrito.
A lei também estabelece a divisão igualitária entre as esposas dos bens adquiridos no matrimônio quando este termina.
Uma cláusula controversa que proibia impor um preço às noivas – ou o pagamento de uma soma em dinheiro para a família da noiva por parte do noivo – foi eliminada.
As informações são do portal da emissora de TV britânica BBC.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Dia dos Pais nos EUA: polígamos
| Foto: Divulgação/National Geographic Channel |
Numa entrevista com a correspondente da rede ABC Cecília Vega, Rose Marie Cawley, de 19 anos, explica sua jornada espiritual para encontrar o marido polígamo com quem ela está destinada a se casar. Vega pergunta a Michael Cawley se ele se importaria se sua filha se casasse com um homem de 70 anos.
Cawley respondeu: "Se é essa a resposta, que vem de nosso Pai Celestial, ótimo".
Essa afirmação pode provocar um grande choque do público, apesar dos aspectos normais de uma família polígama moderna. Muitos consideram um relacionamento entre uma mulher de 19 anos com um homem de 70 terrível, apesar das convicções religiosas.
No entanto, tem havido inúmeros relatos de mulheres mais jovens que se casam com homens bem mais velhos, sem quaisquer razões espirituais. Tipicamente, esses casos possuem um elemento financeiro no processo de decisão. Embora a sociedade possa ainda considerar esse tipo de relacionamento não-religioso inquietante, nós diferenciamos entre os dois cenários? Em outras palavras, importa se uma mulher escolhe um homem por razões religiosas ou por benefícios financeiros?
Michael Cawley decidiu expor sua vida como polígamo para o público a fim de descriminalizar a poligamia, que é ilegal nos 50 estados dos EUA. Ele menciona que a poligamia deveria ser considerada uma religião, não um crime.
Se um pai permite que sua filha se case com quem Deus escolhe para ela, a lei intervém e onde? Com 18 filhos em suas mãos, Michael ainda planeja ter mais, enquanto busca mais esposas. O homem deveria ter liberdade de ter quantas mulheres escolher juntamente com inúmeros filhos? Isso leva a uma discussão pública sobre controle populacional, mudanças econômicas numa dinâmica familiar, preocupações legais e impacto ambiental.
Vega pergunta à primeira esposa se ela tem escolha sobre quantas esposas podem se unir à família. Ela responde: "Na verdade não, porque do modo como eu entrei na família que eu acreditava que eu pertencia ao Michael, eu não posso dizer que ninguém mais pertence a ele. Isso é entre Michael e Deus".
A agência das mulheres num relacionamento polígamo é debatido regularmente entre estudiosos, comentaristas, feministas e críticos. Como Vega revela, embora as mulheres tenham o direito de escolher seu marido polígamo, isso é delegado por uma figura masculina, Deus, a quem elas se referem como "Ele" ou "Pai".
Dado a aceitação de Michael Cawley da hipotética escolha de sua filha (a escolha de Deus, de se casar com um homem de 70 anos de idade, o que isso implica em futuras situações comprometedoras? Por exemplo, e se esse homem mais velho abusasse dela com a desculpa de que era a vontade de Deus? Michael Cawling aceitaria tal afirmação? Isso ressalta a importância de como essa construção relacional em particular impacta a sociedade.
Embora seja impressionante que Cawley seja capaz de criar e prover para 18 filhos, não vamos nos esquecer que ele tem a assistência dedicada e a lealdade de três esposas. Kody Brown, pai e polígamo, no reality show Sister Wives é citado dizendo: "Amar múltiplas esposas é como amar múltiplos filhos". Essa observação sem escrúpulos provoca um obstáculo para a legalização ou a aceitação dessa dinâmica familiar dentro da sociedade. A sociedade já permite que relacionamentos opressivos operem legalmente dentro das construções heteronormativas da monogamia. Acolhemos bem a liberdade de uma família de escolher seu estilo de vida mesmo se ela negar os direitos individuais dentro da unidade? O Dia dos Pais é sobre agradecer, respeitar e honrar os homens que nos criaram. Nesse dia, torna-se, de alguma maneira, mais louvável ser um pai polígamo?
As informações são do blog de Andreea Nica, do Huffington Post.
sábado, 1 de junho de 2013
A poligamia sobrevive em comunidades indígenas no sul do Chile
No sul do Chile, nas comunidades indígenas que habitam a região de Araucanía, algumas mulheres compartilham o mesmo marido, mantendo viva a prática da poligamia que os mapuches exerceram desde os tempos antigos e hoje é pouco conhecido no país, onde não tem respaldo legal.
"Normalmente, é uma prática que é aceita, mas, obviamente, você pode encontrar as mulheres que não querem", diz à agência de notícias EFE a antropóloga Natalia Caniguán Mapuche, que disse que às vezes segundas esposas são irmãs ou parentes da primeira.
"É parte de sua cultura. É tido como normal. Eles estão acostumado e é aceito. Eles vivem em comunidades e no seio das comunidades têm várias famílias", confirma uma assistente social do Fundo de Solidariedade e Investimento Social (Fosis).
Existem cerca de 3000 comunidades mapuches - a principal etnia indígena do país - na região da Araucanía, situada a cerca de 600 quilômetros ao sul de Santiago e onde, segundo números oficiais, cerca de 22,9% da população vive na pobreza ou na pobreza extrema.
Ali, na comuna de Ercilla, o Fosis - dependente do Ministério de Desenvolvimento Social - lançou um projeto dotado de cerca de 100.000 dólares para entregar aos vizinhos ferramentas, maquinários ou animais que lhes permitam aumentar sua renda.
Este programa beneficia a 90 usuários, dos quais 95% são mulheres mapuches, que têm, em média, 3,8 filhos.
Seus maridos, segundo dados desse projeto, possuem uma média de 2,3 esposas, com as quais compartilham vários filhos, embora as mulheres vivam em casas diferentes dentro da mesma comunidade.
Inseridas numa economia de subsistência, elas são as principais provedoras do lar: cuidam de sua prole, semeiam e colhem moagem, cortam e transportam a lenha, extraem a água de poços e nascentes e vendem seus produtos nos povoados mais próximos.
"As mulheres aceitam essa situação e os filhos muitas vezes são amigos", descreve a funcionária do Fosis, que prefere manter-se annônima.
Os homens, assegura, assumem uma carga menor de trabalho e, entre eles, o alcoolismo é um problema recorrente.
Embora, neste caso, pareça ser comum a poligamia, a antropóloga Natalia Caniguán crê que esta prática, pouco conhecida para o resto dos chilenos, já não é tão comum como era antes de 1880, quando o Estado chileno impôs sua lei nessa região.
"As regras matrimoniais mapuches estavam dominads pelas condições de guerra a que estava submetida sua sociedade", explica o renomado antropólogo chileno José Bengoa em seu livro "Historia del pueblo mapuche: Siglo XIX y XX".
Ele acrescenta que "o sistema de troca generalizada de mulheres tendia a assegurar duas questões fundamentais: um alto nível de reprodução da população e uma possibilidade de selar alianças militares. É por isso que os mapuches defendiam a poligamia como um elemento central da organização de sua sociedade".
Segundo Bengoa, um cacique com dez mulheres podia chegar a ter mais de 50 filhos e uma grande quantidade de possibilidades de alianças políticas. "Daí que o rejeição da religião católica sempre se produziu a partir da proibição que esta fazia da poligamia", raciocina.
"Quando a Igreja Católica chegou aos territórios indígenas ela reprimiu a poligamia e impôs um sistema monogâmico", recorda Natalia Caniguán, que aponta que esse costume era próprio de homens com poder econômico, que estava determinado pela posse de terras e animais.
A poligamia, "dada a realidade atual de poucas terras, das divisões territoriais e da migração, já não cumpre esse objetivo", reflete essa especialista.
Na verdade, essa região tem sido há anos cenário de um conflito entre grupos mapuches e empresas agrícolas e florestais, que exigem a devolução de terras que consideram ancestrais.
Assim, em termos econômicos, atualmente, esta prática pode significar inclusive mais gastos para o homem que tem várias esposas e, em termos jurídicos, pode levar a alguns problemas, já que a poligamia não tem cobertura legal no Chile.
Por isso, só uma das esposas pode estar casada legalmente com o homem e isso tem repercussões na partilha da herança, aponta Caniguán: "As terras ficam para os filhos da mulher com quem o homem está casado. As outras não podem receber nada".
Ainda assim, esta prática segue viva, alimentada pela força do costume.
As informações são da agência de notícias espanhola EFE, através do jornal equatoriano El Comercio.
"Normalmente, é uma prática que é aceita, mas, obviamente, você pode encontrar as mulheres que não querem", diz à agência de notícias EFE a antropóloga Natalia Caniguán Mapuche, que disse que às vezes segundas esposas são irmãs ou parentes da primeira.
"É parte de sua cultura. É tido como normal. Eles estão acostumado e é aceito. Eles vivem em comunidades e no seio das comunidades têm várias famílias", confirma uma assistente social do Fundo de Solidariedade e Investimento Social (Fosis).
Existem cerca de 3000 comunidades mapuches - a principal etnia indígena do país - na região da Araucanía, situada a cerca de 600 quilômetros ao sul de Santiago e onde, segundo números oficiais, cerca de 22,9% da população vive na pobreza ou na pobreza extrema.
Ali, na comuna de Ercilla, o Fosis - dependente do Ministério de Desenvolvimento Social - lançou um projeto dotado de cerca de 100.000 dólares para entregar aos vizinhos ferramentas, maquinários ou animais que lhes permitam aumentar sua renda.
Este programa beneficia a 90 usuários, dos quais 95% são mulheres mapuches, que têm, em média, 3,8 filhos.
Seus maridos, segundo dados desse projeto, possuem uma média de 2,3 esposas, com as quais compartilham vários filhos, embora as mulheres vivam em casas diferentes dentro da mesma comunidade.
Inseridas numa economia de subsistência, elas são as principais provedoras do lar: cuidam de sua prole, semeiam e colhem moagem, cortam e transportam a lenha, extraem a água de poços e nascentes e vendem seus produtos nos povoados mais próximos.
"As mulheres aceitam essa situação e os filhos muitas vezes são amigos", descreve a funcionária do Fosis, que prefere manter-se annônima.
Os homens, assegura, assumem uma carga menor de trabalho e, entre eles, o alcoolismo é um problema recorrente.
Embora, neste caso, pareça ser comum a poligamia, a antropóloga Natalia Caniguán crê que esta prática, pouco conhecida para o resto dos chilenos, já não é tão comum como era antes de 1880, quando o Estado chileno impôs sua lei nessa região.
"As regras matrimoniais mapuches estavam dominads pelas condições de guerra a que estava submetida sua sociedade", explica o renomado antropólogo chileno José Bengoa em seu livro "Historia del pueblo mapuche: Siglo XIX y XX".
Ele acrescenta que "o sistema de troca generalizada de mulheres tendia a assegurar duas questões fundamentais: um alto nível de reprodução da população e uma possibilidade de selar alianças militares. É por isso que os mapuches defendiam a poligamia como um elemento central da organização de sua sociedade".
Segundo Bengoa, um cacique com dez mulheres podia chegar a ter mais de 50 filhos e uma grande quantidade de possibilidades de alianças políticas. "Daí que o rejeição da religião católica sempre se produziu a partir da proibição que esta fazia da poligamia", raciocina.
"Quando a Igreja Católica chegou aos territórios indígenas ela reprimiu a poligamia e impôs um sistema monogâmico", recorda Natalia Caniguán, que aponta que esse costume era próprio de homens com poder econômico, que estava determinado pela posse de terras e animais.
A poligamia, "dada a realidade atual de poucas terras, das divisões territoriais e da migração, já não cumpre esse objetivo", reflete essa especialista.
Na verdade, essa região tem sido há anos cenário de um conflito entre grupos mapuches e empresas agrícolas e florestais, que exigem a devolução de terras que consideram ancestrais.
Assim, em termos econômicos, atualmente, esta prática pode significar inclusive mais gastos para o homem que tem várias esposas e, em termos jurídicos, pode levar a alguns problemas, já que a poligamia não tem cobertura legal no Chile.
Por isso, só uma das esposas pode estar casada legalmente com o homem e isso tem repercussões na partilha da herança, aponta Caniguán: "As terras ficam para os filhos da mulher com quem o homem está casado. As outras não podem receber nada".
Ainda assim, esta prática segue viva, alimentada pela força do costume.
As informações são da agência de notícias espanhola EFE, através do jornal equatoriano El Comercio.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Antes braço direito de Warren Jeffs. agora William Jessop se opõe a ele
Centenas de polígamos o consideram seu profeta, vidente e revelador. Mas nas tardes de domingo, William E. Jessop bloqueia uma bola de vôlei sobre qualquer um deles.
Jessop e seus seguidores se encontram no ginásio do Colégio El Capitan depois da igreja. Enquanto as crianças jogam basquete, os adolescentes e adultos jogam vôlei. Jessop, de 43 anos, é um dos jogadores mais intensos, anunciando o placar antes de cada serviço, passando a bola para colegas de time mais altos e arremessando seu corpo de 1,82m no ar para bloquear a bola sobre qualquer homem, mulher ou criança que jogue contra ele.
Os jogos são remanescentes de tempos melhores nas cidades irmãs de Colorado City, Arizona, e Hildale, Utah, ainda chamada de "Short Creek" pelos residentes. Antes da ascensão de Warren Jeffs ao poder na Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, crianças e adultos jogavam abertamente. Visitantes eram bem-vindos e a comunidade era, bem, uma comunidade.
Jessop está tentando restabelecer um pouco dessa comunhão.Autorizado por um comunicado que Jeffs fez na prisão, Jessop se separou de Jeffs. E centenas de outros refugiados do reino de Jeffs o estão seguindo.
O grupo, que ainda não tem um nome, ainda abraça a poligamia como um princípio. Membros se referem a Jessop como "Tio William" e seu retrato frequentemente está pendurado nas paredes de suas casas junto com o do fundador mórmon Joseph Smith e outros homens que eles têm considerado profetas por quase dois séculos.
A recreação pode ser a menor das mudanças que Jessop está fazendo. Ele disse que garotas menores de idade não serão forçadas a se casar nem terão casamentos arranjados para elas. Se adolescentes quiserem se casar, Jessop diz, ele vai encorajá-las a considerar as implicações.
"Não queremos fazer nada que infrinja a lei", disse.
Sobre o tema do casamento, ele acrescentou mais tarde: "Encorajaremos [as garotas] a esperarem e a aprender as qualidades da vida e aproveitar a vida e não entrar em algo de que elas podem se arrepender".
Jessop disse que as mulheres são livres para trabalhar fora. E ele quer que as crianças de Hildale e Colorado City tenham diplomas do colegial e da faculdade como já tiveram um dia. Jessop e sua primeira esposa, Joanna, com quem está casado há 22 anos, tem uma filha fazendo residência como médica assistente em Nevada.
Não se sabe quantas mudanças Jessop pode implementar. Pensa-se que os seguidores de Jeffs ainda existem aos milhares e eles controlam o governo municipal em Short Creek, assim como os conselhos e a polícia local. Jeffs deve agradecer a Jessop por manter alguma dessa influência.
Essa náo é a primeira vez que Jessop, cujo nome de batismo é William E. Timpson, tomou parte numa cisão e reforma. Nos anos 1980, seu pai, Alma A. Timpson, esteve entre os homens FSUD que se separaram da igreja numa disputa sobre quem controlava recursos, formando uma nova comunidade poligâmica chamada Centennial Park.
A cisão dividiu famílias. A mãe de Jessop, Kathy Jessop, decidiu não se unir a seu marido. Ela permaneceu com os FSUD e se casou com o reverenciado bispo local, Fred Jessop.
William também tomou o sobrenome de seu padrasto. Anos mais tarde, algumas pessoas o confundiria com Willie Jessop, o gregário proprietário da companhia de escavação que, por um tempo, serviu como porta-voz de Jeffs e da igreja. Willie Jessop também abandonou Jeffs e agora segue "Tio William".
Jessop deve um pouco de sua ascensão eclesiástica à família Jeffs. Pouco antes de ele morrer, o então profeta FSUD Rulon Jeffs transformou Jessop em apóstolo.
Com seu pai, Rulon, morto, Warren Jeffs assumiu a liderança FSUD e manteve Jessop como um de seus principais homens. Num padrão que continua até hoje, apesar de estar na prisão, Jeffs excomungaria homens e garotos adolescentes, dúzias por vez, depois de alegar receber uma revelação de que eles cometeram alguma transgressão.
Jessop passou anos como bispo de Short Creek e foi frequentemente seu trabalho dar a notícias às pessoas que Jeffs estava mandando embora. Durante um jantar semana passada num restaurante em St. George, Jessop descreveu como ele chamaria cada homem para uma reunião. Frequentemente, Jessop simplesmente diria a eles que o "Tio Warren" teve uma revelação — eles não tinham mais o sacerdócio e deveriam se arrepender. Isso significava que eles tinham que deixar Short Creek. Quaisquer esposas ou crianças que seguissem também seriam excomungadas. Aqueles que permanecessem seriam atribuídos a outros homens.
Jessop reconheceu ter tomado algumas dessas mulheres como suas próprias esposas. Registros apreendidos pelas autoridades do Texas na incursão do Rancho Ansiando por Sião em 2008 mostram que Jessop tinha 11 esposas em 2006. Jessop diz que ele tem muito menos esposas agora.
Expulsões como as que Jessop supervisionou eram devastadoras. Os excomungados não tinham mais um caminho para o Paraíso. Aqui na Terra, eles estavam separados fisica e espiritualmente dos amigos e da família.
Um dos homens que Jessop expulsou para Jeffs em 2007 ou 2008 foi William Edward Chatwin, que estava na época com quase 70 anos. A única esposa de Chatwin também foi tomada dele. Até hoje, Chatwin ainda não pode ver seus filhos, que se mantêm fiéis a Jeffs.
Um filho que não está seguindo Jeffs, Andrew Chatwin, disse que nem ele nem seu pai sequer receberam um pedido de desculpas de Jessop.
"Se ele quer construir sua credibilidade de novo, acho que [um pedido de desculpas] é parte do processo", disse Andrew Chjatwin.
O fim dos banimentos - Jessop disse que ele às vezes questionava o que estava fazendo, mas acreditava que Deus falava através de Jeffs e continuava aceitando as ordens de Jeffs. Então, em 24 de janeiro de 2007, Jeffs ligou para Jessop da Cadeia do Condado de Washington.
Jeffs estava aguardando julgamento por acusações de estupro como cúmplice. Jessop estava vivendo numa casa da igreja FSUD em Westcliffe, Colorado. De acordo com uma transcrição da ligação que se tornou pública mais tarde, Jeffs se autodenominou "um dos homens mais perversos na face da Terra". Ele disse que Jessop era o "detentor da chave" e fez referência à Seção 43 de Doutrina e Convênios, que diz que apenas o profeta pode fazer revelações pela igreja.
Jeffs, ao que parece, tinha abdicado de seu papel como profeta e líder FSUD em favor de Jessop.
Uma reunião de homens FSUD do alto escalão foi realizada rapidamente em Amarillo, Texas. Os homens falaram sobre o que Jeffs tinha feito e o que fazer em seguida, mas nenhuma decisão foi tomada.
"Estávamos apenas meio que sentados lá em um limbo por cerca de dois meses", lembra Jessop.
Então, um dos irmãos de Jeffs, Nephi Jeffs, ligou para Jessop.
"Ele está de volta", disse Nephi Jeffs, se referindo ao irmão.
Tão rapidamente como ele entregou, Jeffs reassumiu o controle da igreja FSUD. Então, em 25 de outubro de 2007, outra ligação foi recebida.
Era Merril Jessop, outro membro SUD do alto escalão. Merril deu a entender estar lendo uma revelação de Jeffs. Ela dizia que William Jessop não detinha mais o sacerdócio e deveria ir para Winsconsin e se arrepender. A revelação não especificava o que Jessop tinha feito. Ele assume que foi banido para Winsconsin porque era longe de qualquer FSUD.
Jessop foi para a cidade de La Crosse, Wisconsin, no Rio Mississipie trabalhou pintando casas e tirando leite de vacas. Ele disse que quatro de suas "damas" (terminologia polígama para esposas espirituais) estavam vivendo com ele. Ele passou 13 meses lá antes de receber outro telefonema de Merril.
Jessop podia retornar a Hildale. Nenhuma explicação foi dada. Mas Merril disse que Jessop deveria começar a tentar reunir famílias.
Jessop encontrou uma lista de homens que tinham sido expulsos e começou a telefonar e dizer para eles voltarem.
"Confesse tudo perante ele" - Jessop continuou trabalhando e vivendo com os FSUD, mas sua fé em Jeffs começou a oscilar. Jeffs continuava mandando para seus seguidores longas divagações escritas advertindo do mal. O irmão de Jeffs, Lyle, deveria estar cuidando das mulheres cujos maridos tinham sido expulsos. Mas contas não estavam sendo pagas e algumas mulheres e seus filhos relataram que seus utilitários estavam sendo cortados. O armazém do bispo, onde os membros FSUD deveriam encontrar comida e suprimentos, tinha prateleiras vazias.
Então, no começo de 2011, Willie Jessop contou a Jessop sobre as evidências contra Jeffs, incluindo como Jeffs abusou sexualmente de uma criança de 12 anos. Jessop decidiu que o reinado de Jeffs não fazia sentido.
"A voz que eu estava ouvindo não era a voz de Deus", explicou Jessop.
Jessop apresentou documentos para o estado de Utah em março de 2011, afirmando que ele era o presidente da corporação FSUD. Jeffs contra-atacou com seu próprio processo, alegando que mantinha o apoio de cerca de 4000 seguidores. Jessop abandonou sua busca pela presidência da FSUD. Até hoje, Jeffs é chamado de presidente da igreja FSUD em documentos apresentados ao estado.
Numa carta endereçada a Lyle Jeffs e a "todos os FSUD", datada de 10 de agosto de 2011, enquanto Jeffs estava em julgamento no Texas, Jessop encorajou todos a se afastarem da liderança FSUD. Ele acusou os Jeffses de acobertar sua própria imoralidade e de conzudir homens a comportamento criminoso que os mandava para a prisão e levou à incursão no Rancho Ansiando por Sião.
"Essa é nossa oportunidade de confessar", escreveu Jessop, "pois o Senhor disse que não será ridicularizado, ou vocês vão cair com os ímpios e serão condenados. Eu os amo e peço ao Senhor para ajudá-los a confessar perante Ele e ser contados entre Seu povo que são os honestos e puros de coração".
Desde então, os seguidores de Jessop tem crescido lentamente. Ao contrário dos seguidores de Jeffs, os seguidores de Jessop são livres para usarem a internet, comer o que quiserem e se associar com quem lhes apetece. Jessop passa a maior parte de seu tempo em Short Creek liderando reuniões dominicais, realizando casamentos e outras obrigações requeridas por sua posição na igreja. Ele também passa tempo em Sandy Valley, Nevada, a sudeste de Las Vegas, onde sua família administra uma fazenda de feno e laticínios.
Durante um intervalo entre jogos de vôlei, Jessop discutiu as pessoas que fundaram Short Creek, descrevendo-as como boas e "virtuosas". Aqueles que permanecem em Short Creek, disse, tem uma responsabilidade de continuar esse legado.
Jessop disse que não tem mais uso para Jeffs mas sugeriu que está aberto aos seguidores de Jeffs que se unirem a ele.
"Se eles perceberem o que ele é", disse, " e perceber que eles têm responsabilidades e quiserem vir a nós, ótimo".
William E. Jessop
Idade • 43
Família • Sua esposa legal é Joanna Jessop, 53, com quem tem 11 filhos.
Residência • Vive em Hildale, mas sua família tem um rancho em Sandy Valley, Nevada.
Emprego • Jessop trabalhou em construção, pintando casas e em fazendas, embora tenha passado grande parte de sua vida trabalhando em várias posições na Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Jessop e seus seguidores se encontram no ginásio do Colégio El Capitan depois da igreja. Enquanto as crianças jogam basquete, os adolescentes e adultos jogam vôlei. Jessop, de 43 anos, é um dos jogadores mais intensos, anunciando o placar antes de cada serviço, passando a bola para colegas de time mais altos e arremessando seu corpo de 1,82m no ar para bloquear a bola sobre qualquer homem, mulher ou criança que jogue contra ele.
Os jogos são remanescentes de tempos melhores nas cidades irmãs de Colorado City, Arizona, e Hildale, Utah, ainda chamada de "Short Creek" pelos residentes. Antes da ascensão de Warren Jeffs ao poder na Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, crianças e adultos jogavam abertamente. Visitantes eram bem-vindos e a comunidade era, bem, uma comunidade.
Jessop está tentando restabelecer um pouco dessa comunhão.Autorizado por um comunicado que Jeffs fez na prisão, Jessop se separou de Jeffs. E centenas de outros refugiados do reino de Jeffs o estão seguindo.
O grupo, que ainda não tem um nome, ainda abraça a poligamia como um princípio. Membros se referem a Jessop como "Tio William" e seu retrato frequentemente está pendurado nas paredes de suas casas junto com o do fundador mórmon Joseph Smith e outros homens que eles têm considerado profetas por quase dois séculos.
A recreação pode ser a menor das mudanças que Jessop está fazendo. Ele disse que garotas menores de idade não serão forçadas a se casar nem terão casamentos arranjados para elas. Se adolescentes quiserem se casar, Jessop diz, ele vai encorajá-las a considerar as implicações.
"Não queremos fazer nada que infrinja a lei", disse.
Sobre o tema do casamento, ele acrescentou mais tarde: "Encorajaremos [as garotas] a esperarem e a aprender as qualidades da vida e aproveitar a vida e não entrar em algo de que elas podem se arrepender".
Jessop disse que as mulheres são livres para trabalhar fora. E ele quer que as crianças de Hildale e Colorado City tenham diplomas do colegial e da faculdade como já tiveram um dia. Jessop e sua primeira esposa, Joanna, com quem está casado há 22 anos, tem uma filha fazendo residência como médica assistente em Nevada.
Não se sabe quantas mudanças Jessop pode implementar. Pensa-se que os seguidores de Jeffs ainda existem aos milhares e eles controlam o governo municipal em Short Creek, assim como os conselhos e a polícia local. Jeffs deve agradecer a Jessop por manter alguma dessa influência.
Essa náo é a primeira vez que Jessop, cujo nome de batismo é William E. Timpson, tomou parte numa cisão e reforma. Nos anos 1980, seu pai, Alma A. Timpson, esteve entre os homens FSUD que se separaram da igreja numa disputa sobre quem controlava recursos, formando uma nova comunidade poligâmica chamada Centennial Park.
A cisão dividiu famílias. A mãe de Jessop, Kathy Jessop, decidiu não se unir a seu marido. Ela permaneceu com os FSUD e se casou com o reverenciado bispo local, Fred Jessop.
William também tomou o sobrenome de seu padrasto. Anos mais tarde, algumas pessoas o confundiria com Willie Jessop, o gregário proprietário da companhia de escavação que, por um tempo, serviu como porta-voz de Jeffs e da igreja. Willie Jessop também abandonou Jeffs e agora segue "Tio William".
Jessop deve um pouco de sua ascensão eclesiástica à família Jeffs. Pouco antes de ele morrer, o então profeta FSUD Rulon Jeffs transformou Jessop em apóstolo.
Com seu pai, Rulon, morto, Warren Jeffs assumiu a liderança FSUD e manteve Jessop como um de seus principais homens. Num padrão que continua até hoje, apesar de estar na prisão, Jeffs excomungaria homens e garotos adolescentes, dúzias por vez, depois de alegar receber uma revelação de que eles cometeram alguma transgressão.
Jessop passou anos como bispo de Short Creek e foi frequentemente seu trabalho dar a notícias às pessoas que Jeffs estava mandando embora. Durante um jantar semana passada num restaurante em St. George, Jessop descreveu como ele chamaria cada homem para uma reunião. Frequentemente, Jessop simplesmente diria a eles que o "Tio Warren" teve uma revelação — eles não tinham mais o sacerdócio e deveriam se arrepender. Isso significava que eles tinham que deixar Short Creek. Quaisquer esposas ou crianças que seguissem também seriam excomungadas. Aqueles que permanecessem seriam atribuídos a outros homens.
Jessop reconheceu ter tomado algumas dessas mulheres como suas próprias esposas. Registros apreendidos pelas autoridades do Texas na incursão do Rancho Ansiando por Sião em 2008 mostram que Jessop tinha 11 esposas em 2006. Jessop diz que ele tem muito menos esposas agora.
Expulsões como as que Jessop supervisionou eram devastadoras. Os excomungados não tinham mais um caminho para o Paraíso. Aqui na Terra, eles estavam separados fisica e espiritualmente dos amigos e da família.
Um dos homens que Jessop expulsou para Jeffs em 2007 ou 2008 foi William Edward Chatwin, que estava na época com quase 70 anos. A única esposa de Chatwin também foi tomada dele. Até hoje, Chatwin ainda não pode ver seus filhos, que se mantêm fiéis a Jeffs.
Um filho que não está seguindo Jeffs, Andrew Chatwin, disse que nem ele nem seu pai sequer receberam um pedido de desculpas de Jessop.
"Se ele quer construir sua credibilidade de novo, acho que [um pedido de desculpas] é parte do processo", disse Andrew Chjatwin.
O fim dos banimentos - Jessop disse que ele às vezes questionava o que estava fazendo, mas acreditava que Deus falava através de Jeffs e continuava aceitando as ordens de Jeffs. Então, em 24 de janeiro de 2007, Jeffs ligou para Jessop da Cadeia do Condado de Washington.
Jeffs estava aguardando julgamento por acusações de estupro como cúmplice. Jessop estava vivendo numa casa da igreja FSUD em Westcliffe, Colorado. De acordo com uma transcrição da ligação que se tornou pública mais tarde, Jeffs se autodenominou "um dos homens mais perversos na face da Terra". Ele disse que Jessop era o "detentor da chave" e fez referência à Seção 43 de Doutrina e Convênios, que diz que apenas o profeta pode fazer revelações pela igreja.
Jeffs, ao que parece, tinha abdicado de seu papel como profeta e líder FSUD em favor de Jessop.
Uma reunião de homens FSUD do alto escalão foi realizada rapidamente em Amarillo, Texas. Os homens falaram sobre o que Jeffs tinha feito e o que fazer em seguida, mas nenhuma decisão foi tomada.
"Estávamos apenas meio que sentados lá em um limbo por cerca de dois meses", lembra Jessop.
Então, um dos irmãos de Jeffs, Nephi Jeffs, ligou para Jessop.
"Ele está de volta", disse Nephi Jeffs, se referindo ao irmão.
Tão rapidamente como ele entregou, Jeffs reassumiu o controle da igreja FSUD. Então, em 25 de outubro de 2007, outra ligação foi recebida.
Era Merril Jessop, outro membro SUD do alto escalão. Merril deu a entender estar lendo uma revelação de Jeffs. Ela dizia que William Jessop não detinha mais o sacerdócio e deveria ir para Winsconsin e se arrepender. A revelação não especificava o que Jessop tinha feito. Ele assume que foi banido para Winsconsin porque era longe de qualquer FSUD.
Jessop foi para a cidade de La Crosse, Wisconsin, no Rio Mississipie trabalhou pintando casas e tirando leite de vacas. Ele disse que quatro de suas "damas" (terminologia polígama para esposas espirituais) estavam vivendo com ele. Ele passou 13 meses lá antes de receber outro telefonema de Merril.
Jessop podia retornar a Hildale. Nenhuma explicação foi dada. Mas Merril disse que Jessop deveria começar a tentar reunir famílias.
Jessop encontrou uma lista de homens que tinham sido expulsos e começou a telefonar e dizer para eles voltarem.
"Confesse tudo perante ele" - Jessop continuou trabalhando e vivendo com os FSUD, mas sua fé em Jeffs começou a oscilar. Jeffs continuava mandando para seus seguidores longas divagações escritas advertindo do mal. O irmão de Jeffs, Lyle, deveria estar cuidando das mulheres cujos maridos tinham sido expulsos. Mas contas não estavam sendo pagas e algumas mulheres e seus filhos relataram que seus utilitários estavam sendo cortados. O armazém do bispo, onde os membros FSUD deveriam encontrar comida e suprimentos, tinha prateleiras vazias.
Então, no começo de 2011, Willie Jessop contou a Jessop sobre as evidências contra Jeffs, incluindo como Jeffs abusou sexualmente de uma criança de 12 anos. Jessop decidiu que o reinado de Jeffs não fazia sentido.
"A voz que eu estava ouvindo não era a voz de Deus", explicou Jessop.
Jessop apresentou documentos para o estado de Utah em março de 2011, afirmando que ele era o presidente da corporação FSUD. Jeffs contra-atacou com seu próprio processo, alegando que mantinha o apoio de cerca de 4000 seguidores. Jessop abandonou sua busca pela presidência da FSUD. Até hoje, Jeffs é chamado de presidente da igreja FSUD em documentos apresentados ao estado.
Numa carta endereçada a Lyle Jeffs e a "todos os FSUD", datada de 10 de agosto de 2011, enquanto Jeffs estava em julgamento no Texas, Jessop encorajou todos a se afastarem da liderança FSUD. Ele acusou os Jeffses de acobertar sua própria imoralidade e de conzudir homens a comportamento criminoso que os mandava para a prisão e levou à incursão no Rancho Ansiando por Sião.
"Essa é nossa oportunidade de confessar", escreveu Jessop, "pois o Senhor disse que não será ridicularizado, ou vocês vão cair com os ímpios e serão condenados. Eu os amo e peço ao Senhor para ajudá-los a confessar perante Ele e ser contados entre Seu povo que são os honestos e puros de coração".
Desde então, os seguidores de Jessop tem crescido lentamente. Ao contrário dos seguidores de Jeffs, os seguidores de Jessop são livres para usarem a internet, comer o que quiserem e se associar com quem lhes apetece. Jessop passa a maior parte de seu tempo em Short Creek liderando reuniões dominicais, realizando casamentos e outras obrigações requeridas por sua posição na igreja. Ele também passa tempo em Sandy Valley, Nevada, a sudeste de Las Vegas, onde sua família administra uma fazenda de feno e laticínios.
Durante um intervalo entre jogos de vôlei, Jessop discutiu as pessoas que fundaram Short Creek, descrevendo-as como boas e "virtuosas". Aqueles que permanecem em Short Creek, disse, tem uma responsabilidade de continuar esse legado.
Jessop disse que não tem mais uso para Jeffs mas sugeriu que está aberto aos seguidores de Jeffs que se unirem a ele.
"Se eles perceberem o que ele é", disse, " e perceber que eles têm responsabilidades e quiserem vir a nós, ótimo".
William E. Jessop
Idade • 43
Família • Sua esposa legal é Joanna Jessop, 53, com quem tem 11 filhos.
Residência • Vive em Hildale, mas sua família tem um rancho em Sandy Valley, Nevada.
Emprego • Jessop trabalhou em construção, pintando casas e em fazendas, embora tenha passado grande parte de sua vida trabalhando em várias posições na Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Entrevista com a Família Brown, do reality show "Sister Wives" (em inglês)
Entrevista exibida no Today Show, da rede de TV americana NBC.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Mr. Catra e a poligamia: “Minhas esposas é que deveriam arrumar mulher para mim”
O funkeiro conta ao iG como é o dia a dia da relação com quatro mulheres e duas “consortes”, futuras esposas, além dos 21 filhos - que em breve serão 23 -, com 14 mães diferentes. Leia a entrevista, feita pela jornalista Priscila Bessa, aqui. Leia também a reportagem com Silvia, a primeira esposa do cantor.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Poliandria e Poliginia
| Casamento de um homem zulu (África do Sul) com quatro mulheres |
«O matrimónio é poligâmico quando uma pessoa é casada ao mesmo tempo com duas ou mais pessoas do outro sexo. O casamento poligâmico denomina-se poliginia, se é o homem a ter mais de uma mulher; se, pelo contrário, for a mulher que tem mais de um marido, chama-se poliandria.
Embora na maior parte das sociedades domine a poliginia (…), a maioria dos homens tem uma só mulher, quer porque as sociedades que adoptam a monogamia abrangem a massa da população mundial, quer porque o número de mulheres não é suficiente para permitir a prática da poliginia em larga escala, nem sequer nas sociedades que adoptam esta forma de casamento.
A poliginia está cada vez menos difundida nos países muçulmanos (onde é expressamente permitida pelo Alcorão, cujo texto diz: “Desposa mulheres à tua escolha, duas, três ou quatro”), sendo hoje praticada, quase sempre, por aqueles que detêm as posições sociais mais elevadas.
A poliginia está, pelo contrário, amplamente difundida em muitas regiões da África subsariana, onde a proporção dos homens casados que têm mais de uma mulher vai dos 12% aos 40% do total, conforme os países.
Um dos factores que torna possível a poliginia nesta área é a forte diferença (cerca de 10 anos) que decorre entre a idade do casamento dos homens e das mulheres: à volta dos vinte e cinco anos e dos quinze anos, respectivamente. Além disso, por causa da forte diferença de idade e da elevada taxa de mortalidade presente nessas sociedades, as mulheres ficam viúvas muito cedo.
Nessas sociedades a poliginia difundiu-se também porque oferece algumas vantagens económicas e sociais. Para um homem dessa região, desposar mais mulheres significa ter mais filhos e mais prestígio. E permite produzir mais bens agrícolas, uma vez que o cultivo de plantas alimentares concerne quase sempre às mulheres. Por outro lado, visto que as mulheres se devem dedicar ao cultivo ou aos trabalhos domésticos, a chegada de uma nova mulher pode ser vista com agrado pelas outras mulheres, porquanto isso comporta a redução da sua carga de trabalho.
São poucas as sociedades que adoptam a poliandria. As mais conhecidas e estudadas são as do Tibete e da Índia [bem como do Butão, do Sri Lanka e algumas sociedades esquimós]. Em tais sociedades difundiu-se a família poliândrica fraterna, que se forma quando uma mulher desposa ao mesmo tempo dois ou mais irmãos e com eles vive; uma vez casados, os irmãos têm os mesmos direitos e as mesmas obrigações para com a prole e a mulher comum: os irmãos devem todos trabalhar para sustentar a família, enquanto a mulher deve cumprir as tarefas domésticas para todos e, no tocante às relações sexuais, deve passar, à vez, uma noite com um dos irmãos.
A poliandria ocorre em sociedades em que o infanticídio feminino faz com que existam bastante menos mulheres que homens [como sucede, ou sucedia, nalgumas zonas da Índia] ou em sociedades com poucos recursos. No Tibete, por exemplo, a propriedade fundiária de uma família é transmitida a todos os filhos em comum, e não dividida em lotes que poderiam não ser suficientemente grandes para manter a família de cada um; por isso, os irmãos têm em comum a terra e também a mulher.»
Lucia DeMartis, Compêndio de Sociologia, Edições 70, Lisboa, 2006, pp. 139-141.
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