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sábado, 29 de junho de 2013

Polígamos consideram decisões da Suprema Corte dos EUA promissoras

Polígamos veem a revogação do DOMA e da Proposição 8 pela Suprema Corte dos EUA como um passo para uma maior aceitação social – e por sua vez, legal – da poligamia. Estudiosos legais, por outro lado, não estão tão otimistas.

As decisões histórica da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre o casamento gay deram um sentimento de otimismo não só para a comunidade gay e lésbica: polígamos também estão lendo esperança nas entrelinhas.

No seu voto para EUA vs. Windsor, o Juiz Kennedy argumentou que a Lei de Defesa do Casamento, que define o casamento estritamente como entre um homem e uma mulher, é inconstitucional porque marca homossexuais como cidadãos de segunda categoria. Minutos depois, o presidente da Corte, juiz Roberts, derrubou a Proposição 8, uma emenda constitucional que baniu o casamento de pessoas do mesmo sexo na Califórnia

Enquanto essas decisões afetam diretamente apenas os estados que legalizaram o casamento de pessoas do mesmo sexo, aqueles que apoiam uniões plurais veem as revogações como um progresso para sua causa porque elas ampliam a definição de casamento.

A poligamia tem recebido exposição popular nos Estados Unidos devido a programas como Sister Wives, do canal pago TLC, e Amor Imenso, da HBO, e especialistas estimam que há entre 30.000 e 50.000 pessoas em uniões polígâmicas em todos os EUA. Embora polígamos residem por todo o país, os maiores enclaves se encontram em Utah, Arizona e outros estados do sudoeste devido às grandes populações de mórmons fundamentalistas vivendo ali.

Anne Wilde, uma mórmon fundamentalista e fundadora da organização de defesa dos direitos dos polígamos Principle Rights Coalition, espera que essas decisões representem um movimento em favor da descriminalização da poligamia.

"Acho que é um passo na direção certa", disse. "Como adultos em idade de consentimento, temos o direito de formar nossas famílias como acharmos conveniente, desde que não hajam outros crimes envolvidos (além da poligamia)".

Apesar de suas opiniões contrastantes em outras questões, defensores tanto a favor como contra a poligamia veem essas duas decisões como instrumentais para abrir as comportas para os casamentos plurais.

Tim Wildmon, presidente da Associação da Família Americana, centrada em valores cristãos, diz que derrubar a definição tradicional de casamento como sendo entre um homem e uma mulher deslegitima o argumento moral contra a poligamia.

"Isso abre a caixa de Pandora sobre como se define casamento neste país", disse. "Por que não ter três homens e duas mulheres se eles se amam? Por que limitar (o casamento) a duas pessoas?"

Mas a trajetória em direção a legalizar a poligamia não é tão simples, dizem estudiosos legais.

David Cohen, professor da Universidade Drexel especializado em direito de família, diz que a falta de aceitação generalizada da poligamia não é um bom presságio para sua legalização.

"Não há um movimento político neste país que esteja sequer perto de trazer os mesmos ganhos para a poligamia que foram trazidos para o casamento gay", diz.

Judith Areen, professora de Direito na Universidade de Georgetown, disse que os resultados desses dois casos são mais reveladores dos direitos do estado do que o potencial para a poligamia. Portanto, apenas o apoio à prática dentro dos estados traria essa mudança à tona.

"Se você está em um estado que não reconhece o casamento gay, esse estado não reconhecerá a decisão de Windsor", diz. "Esses casos sugerem que estados têm autoridade. Então enquanto os estados estão divididos sobre o casamento gay, eles são uniformes sobre a poligamia".

Ao contrário de outros nesse campo, Mark Goldfeder, professor de Direito na Universidade Emory, acha que as duas decisões têm impacto significante sobre o futuro da poligamia nos Estados Unidos. Goldfeder, que é especialista na interseção entre Direito e religião, diz que as cortes precisarão encontrar outras justificativas para manter estatutos anti-poligamia no lugar.

"É cem por cento provável que esses casos polígamos virão, mas eles não serão mais sobre se um relacionamento é imoral", diz Goldfeder. "A corte olhará se esses relacionamentos são prejudiciais a terceiros".

sábado, 8 de junho de 2013

Ex-membro de seita poligâmica diz que a descriminalização pode ajudar a acabar com abusos

Um crescente número de pessoas está deixando comunidades poligâmicas depois de lutar com éditos e abusos, disseram ontem grupos sem fins lucrativos que lidam com comunidades fundamentalistas em Utah.

Quando elas deixam as sociedades fechadas, elas frequentemente entram num mundo novo e estranho — com poucos recursos.

"Viver a poligamia é um estilo de vida desafiador. Abandonar a poligamia é desafiador", disse Shelli Mecham, coordenadora do Comitê Safety Net, uma coalizão de funcionários do governo, grupos se serviço social, ativistas, ex-membros e membros ativos de grupos fundamentalistas criado para fornecer recursos para vítimas de abuso dentro de comunidades poligâmicas.

O grupo, apoiado pelo Centro de Apoio à Família, realizou uma conferência sexta-feira para assistentes sociais, terapeutas e outros funcionários do governo , para que eles aprendam a lidar com pessoas que enfrentam abusos e outros problemas dentro de uma sociedade isolada. Ex-membros de alguns dos grupos poligâmicos compartilharam suas histórias sobre como suportaram anos de abuso e encontraram forças para sair.

Tonia Tewell, diretora do grupo sem fins lucrativos Holding Out Help, disse que viu um aumento estável de pessoas abandonando a Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (FLDS, na sigla em inglês), na divisa entre os estados do Arizona e de Utah. Ela disse que isso acontece por causa dos éditos cada vez mais bizarros sendo elaborados pelo líder da Igreja FLDS, Warren Jeffs, que está preso.

"Warren provavelmente está mais no comando hoje do que jamais esteve. He vai cair como um mártir", disse ela à emissora de TV FOX 13. "Ele não morreu oficialmente mas está definitivamente mais poderoso hoje do que nunca".

Jeffs está servindo prisão perpétua, mais de 20 anos de cadeia, numa prisão do Texas por agressão sexual a crianças. Tewell disse que o êxodo estável de pessoas que escolhem deixar ou são expulsos está sobrecarregando os recursos de seu grupo.

"Uma vez que você é expulso, você perde sua família, você perde seus amigos, você perde toda a sua estrutura de apoio, sua religião, você sai com as roupas nas costas e, se tiver sorte, seus filhos", disse. "É de partir o coração".

Num entrevista para a FOX 13 sexta-feira, a principal testemunha num processo criminal contra Jeffs sugeriu que a descriminalização da poligamia pode ajudar a quebrar o ciclo de abusos.

"Acho que possivelmente criaria algumas soluções interessantes para os problemas", disse Elissa Wall. "E permitiria para as pessoas que escolhem viver desse modo sair do armário e começar a ter um impacto geracional nas pessoas que são educadas".

Wall tinha 14 anos quando foi forçada a casar com seu primo numa cerimônia presidida por Jeffs. Ela testemunhou contra ele num caso que levou à sua condenação numa acusação de estupro como cúmplice. A condenação de Jeffs foi derrubada pela Suprema Corte de Utah.

"A poligamia é o grande véu que acoberta abuso infantil, falta de educação, abuso contra esposas, abuso físico, mental, todas essas coisas diferentes...", disse Wall ontem.

Nos anos desde que Jeffs foi condenado, Wall tem sido franca sobre os abusos dentro da poligamia, incluindo casamento com menores de idade. Ela disse que continua trabalhando com pessoas que vivem em casamentos plurais e com aquelas que escolheram deixar o estilo de vida. Wall disse que seu foco agora não é a poligamia em si, mas em parar com o abuso e impedir que crianças sejam prejudicadas.

Ela disse que a descriminalização da poligamia pode criar um ambiente de "consentimento informado", onde pessoas escolheriam se querem viver nesse estilo de vida, acabando com gerações de sigilo.

"Se [a poligamia] for descriminalizada e você der a homens e mulheres o direito de escolha, você criaria um ambiente muito mais saudável tanto para a própria comunidade quanto para as pessoas vivendo nela", disse Wall à FOX 13. "Porque as pessoas poderiam entrar e sair se escolherem. Mais do que qualquer coisa, minha crença pessoal é que criando essa fundação para um estilo de vida poligâmico saudável é o único modo que vamos impactar a juventude. É o único modo que vamos protegê-la".

Algumas das pessoas que ainda vivem — e acreditam — no princípio do casamento plural insistem que a descriminalização permitiria às pessoas relatarem abertamente potenciais abusos sem temer que a família inteira fosse processada.

"As pessoas estão com medo de virem à tona porque têm medo dos processos e isso, em alguns casos, impedem as pessoas de relatarem às autoridades sobre alguns potenciais abusos", disse uma mulher chamada Leslie, uma autodenominada mórmon fundamentalista.

Heidi Foster, membro da Sociedade Cooperativa do Condado de Davis, disse que os esforços de mobilização como o Comitê Safe Net só podem ajudar se as pessoas ainda temerem que a família inteira vai ser processada.

"Queremos contribuir com a sociedade. Queremos ser amigos de nossos vizinhos. Até que não sejamos considerados criminosos, não nos sentimos que realmente temos a oportunidade de servir nossa comunidade da maneira que queremos", disse.

O Gabinete do Procurador Geral de Utah tem uma política de longa data de não processar polígamos por causa de questões relacionadas à liberdade de religião. Mas os promotores têm acusado pessoas por bigamia em conjunto com outros crimes, como abuso e fraude.

O gabinete do procurador geral disse que a descriminalização é algo que os polígamos deveriam levar a seus legisladores. Alguns polígamos, recentemente, tem feito lobby na Assembléia Legislativa de Utah num esforço para levar os legisladores a considerarem a idéia.

Um processo judicial aberto pelo polígamo Kody Brown e suas esposas contestando a proibição do estado de Utah à poligamia está, atualmente, sendo questionado num tribunal federal. Kody e sua família são as estrelas do reality show Sister Wives, exibido, nos EUA e no Brasil, pelo canal por assinatura TLC.

Com informações do site da emissora de TV FOX 13.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

"Religão não faz parte da nossa vida. Religião é a nossa vida"

Pela primeira vez, uma comunidade no Arizona (EUA) onde a poligamia abre suas portas ao National Geographic Channel. A nova série, "Polygamy, USA", estreia na terça-feira, dia 7 de maio.

De fora, Centennial Park, Arizona, parece ser como muitas outras cidadezinhas. Famílias lutam para manter a comida na mesa; filhos e filhas se rebelam contra as regras estritas de seus pais; mulheres lutam contra o ciúmes em seus relacionamentos; e idosos se preocupam com o fato de as novas gerações não respeitarem as tradições do passado. Mas o que torna essa cidade diferente daquilo é que ela é uma comunidade unida de mórmons fundamentalistas que participam abertamente da poligamia, um princípio sagrado de sua fé e uma expressão de sua luta por liberdade religiosa.

Polygamy, USA, que estreia nos EUA na terça-feira, dia 7, no National Geographic Channel, pela primeira vez entra nas vidas diárias de famílias nesta comunidade comprometida sinceramente à sua fé - mesmo que isso signifique violar a lei.

"Por mais de dez anos, o National Geographic Channel tem levado os leitores para dentro da vida de tipos "estranhos", pessoas cujo modo de vida desvia-se do que muitos consideram a norma", disse Alan Eyres, vice-presidente sênior de programação e desenvolvimento do National Geographic Channel. "Mas “But be they preppers or polygamists, they are people, with incredible stories that help us further open a window to the world.”

Esse é um estilo de vida com uma história que remonta a gerações, mas que eles devem proteger não apenas do escrutínio externo, mas também das atitudes em evolução de cada nova geração. Alguns mostram que estão comprometidos ao mudo de vida que lhes foi ensinado, enquanto outros reposicionam as normas com as quais eles cresceram. É um olhar fascinante em um modo de vida que pode ser difícil de entender, enquanto pode também ser surpreendentemente familiar.

Mas o casamento plural é apenas uma parte da história em Polygamy, USA. Desde o início, os espectadores recebem uma visão interna dos rituais desse grupo fundamentalista, incluindo orações matinais, reuniões, serviços dominicais, batismos e funerais.

Os idosos da comunidade empenham-se para assegurar que influências externas do mundo não distraiam a geração mais jovem de manter essas tradições, um desafio imenso dados os olhares curiosos e murmúrios muitas vezes suportados quando eles se aventuram fora da comunidade. Para membros novos e antigos, sacrifícios devem ser feitos e um meio termo deve ser encontrado para que a cidade sobreviva.

A série foca em três diferentes famílias polígamas e um dos jovens solteiros da comunidade:
  • Arthur Hamon é um dos fundadores de Centennial Park. Ele ajudou a construir a cidade 30 anos atrás depoi que ele e outros se separaram de uma comunidade próxima por causa de uma disputa religiosa.
    Arthur agora dirige o programa missionário de Centennial Park, um exército voluntário de homens solteiros e jovens que trabalham para a comunidade. Como líder desse grupo, Arthur procura guiar esses jovens centrá-los antes que se tornem líderes de suas próprias famílias plurais. "Se os garotos decidem, OK, eu não quero fazer parte disso, tudo bem", diz Arthur. "Eles são seus próprios árbitros. Não acreditamos na escravidão". Mas Arthur não consegue evitar ficar incomodado com um jovem que escolheu forjar seu próprio caminho: seu filho, Ezra.
  • Hyrum Burton é um dos missionários de Arthur. Embora para muitos o serviço dure apenas dois anos, Hyrum serviu por quase quatro. Enquanto ele está ansioso para terminar e seguir em frente com o casamento, ele também acredita que deve esperar até que esse tempo serja ordenado por Deus. "Se eu seguir essas regras, sabe, talvez eu possa chegar a um ponto no crescimento do meu caráter onde o Senhor vai me abençoar com uma mulher". Enquanto isso, ele organiza competições esportivas e participa dos eventos sociais da comunidade, esperando para ver se suas interações com jovens mulheres da comunidade vai levar uma delas a selecioná-lo como marido - aqui, sua fé os ensina que Deus diz às mulheres, não aos homens, com quem se casar.
  • Isaiah Thomson, um polígamo de sexta geração com duas jovens esposas e cinco jovens filhos. "Tão cedo quanto me lembro, eu queria viver na fé", diz. Suas esposas Marleen e Becca lidam com o ciúmes entre si, mas verdadeiramente acreditam que estão onde Deus quer que elas estejam. Com tantas bocas para alimentar, Isaiah é muitas vezes forçado a sair por semanas de cada vez para trabalhar, deixando as mulheres sozinhas em casa para cuidar da família. Mas apesar dessas lutas, eles planejam em ter mais filhos e estão ansiosos pela possibilidade de que uma terceira esposa entre para a família.
  • Michael Cawley, como muitos outros, trabalha duro no casamento - acontece que ele tem três esposas e 18 filhos. "As pessoas podem perguntar, é possível amar três esposas ao mesmo tempo?", diz. "Sim, eu consigo amar mais de uma mulher. Genuinamente, verdadeiramente amar". Atualmente ele está mais preocupado com sua filha mais velha, Rose Marie, que atingiu a idade na qual ela pode se casar, mas não recebeu o sinal de Deus. Com encorajamento de seu pai e das três mães, Rose Marie trabalha duro para se preparar para as responsabilidades do casamento, enquanto também ora pelo nome de seu futuro marido.
Para mais informações sobre a série, visite o site www.ngcpr.com ou siga a National Geographic em @NGC_PR.

Com informações da assessoria de imprensa do National Geographic Channel.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Antes braço direito de Warren Jeffs. agora William Jessop se opõe a ele

Centenas de polígamos o consideram seu profeta, vidente e revelador. Mas nas tardes de domingo, William E. Jessop bloqueia uma bola de vôlei sobre qualquer um deles.

Jessop e seus seguidores se encontram no ginásio do Colégio El Capitan depois da igreja. Enquanto as crianças jogam basquete, os adolescentes e adultos jogam vôlei. Jessop, de 43 anos, é um dos jogadores mais intensos, anunciando o placar antes de cada serviço, passando a bola para colegas de time mais altos e arremessando seu corpo de 1,82m no ar para bloquear a bola sobre qualquer homem, mulher ou criança que jogue contra ele.

Os jogos são remanescentes de tempos melhores nas cidades irmãs de Colorado City, Arizona, e Hildale, Utah, ainda chamada de "Short Creek" pelos residentes.  Antes da ascensão de Warren Jeffs ao poder na Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, crianças e adultos jogavam abertamente. Visitantes eram bem-vindos e a comunidade era, bem, uma comunidade.

Jessop está tentando restabelecer um pouco dessa comunhão.Autorizado por um comunicado que Jeffs fez na prisão, Jessop se separou de Jeffs. E centenas de outros refugiados do reino de Jeffs o estão seguindo.

O grupo, que ainda não tem um nome, ainda abraça a poligamia como um princípio. Membros se referem a Jessop como "Tio William" e seu retrato frequentemente está pendurado nas paredes de suas casas junto com o do fundador mórmon Joseph Smith e outros homens que eles têm considerado profetas por quase dois séculos.

A recreação pode ser a menor das mudanças que Jessop está fazendo. Ele disse que garotas menores de idade não serão forçadas a se casar nem terão casamentos arranjados para elas. Se adolescentes quiserem se casar, Jessop diz, ele vai encorajá-las a considerar as implicações.

"Não queremos fazer nada que infrinja a lei", disse.

Sobre o tema do casamento, ele acrescentou mais tarde: "Encorajaremos [as garotas] a esperarem e a aprender as qualidades da vida e aproveitar a vida e não entrar em algo de que elas podem se arrepender".

Jessop disse que as mulheres são livres para trabalhar fora. E ele quer que as crianças de Hildale e Colorado City tenham diplomas do colegial e da faculdade como já tiveram um dia. Jessop e sua primeira esposa, Joanna, com quem está casado há 22 anos, tem uma filha fazendo residência como médica assistente em Nevada.

Não se sabe quantas mudanças Jessop pode implementar. Pensa-se que os seguidores de Jeffs ainda existem aos milhares e eles controlam o governo municipal em Short Creek, assim como os conselhos e a polícia local. Jeffs deve agradecer a Jessop por manter alguma dessa influência.

Essa náo é a primeira vez que Jessop, cujo nome de batismo é William E. Timpson, tomou parte numa cisão e reforma. Nos anos 1980, seu pai, Alma A. Timpson, esteve entre os homens FSUD que se separaram da igreja numa disputa sobre quem controlava recursos, formando uma nova comunidade poligâmica chamada Centennial Park.

A cisão dividiu famílias. A mãe de Jessop, Kathy Jessop, decidiu não se unir a seu marido. Ela permaneceu com os FSUD e se casou com o reverenciado bispo local, Fred Jessop.

William também tomou o sobrenome de seu padrasto. Anos mais tarde, algumas pessoas o confundiria com Willie Jessop, o gregário proprietário da companhia de escavação que, por um tempo, serviu como porta-voz de Jeffs e da igreja. Willie Jessop também abandonou Jeffs e agora segue "Tio William".

Jessop deve um pouco de sua ascensão eclesiástica à família Jeffs. Pouco antes de ele morrer, o então profeta FSUD Rulon Jeffs transformou Jessop em apóstolo.

Com seu pai, Rulon, morto, Warren Jeffs assumiu a liderança FSUD e manteve Jessop como um de seus principais homens. Num padrão que continua até hoje, apesar de estar na prisão, Jeffs excomungaria homens e garotos adolescentes, dúzias por vez, depois de alegar receber uma revelação de que eles cometeram alguma transgressão.

Jessop passou anos como bispo de Short Creek e foi frequentemente seu trabalho dar a notícias às pessoas que Jeffs estava mandando embora. Durante um jantar semana passada num restaurante em St. George, Jessop descreveu como ele chamaria cada homem para uma reunião. Frequentemente, Jessop simplesmente diria a eles que o "Tio Warren" teve uma revelação — eles não tinham mais o sacerdócio e deveriam se arrepender. Isso significava que eles tinham que deixar Short Creek. Quaisquer esposas ou crianças que seguissem também seriam excomungadas. Aqueles que permanecessem seriam atribuídos a outros homens.

Jessop reconheceu ter tomado algumas dessas mulheres como suas próprias esposas. Registros apreendidos pelas autoridades do Texas na incursão do Rancho Ansiando por Sião em 2008 mostram que Jessop tinha 11 esposas em 2006. Jessop diz que ele tem muito menos esposas agora.

Expulsões como as que Jessop supervisionou eram devastadoras. Os excomungados não tinham mais um caminho para o Paraíso. Aqui na Terra, eles estavam separados fisica e espiritualmente dos amigos e da família.

Um dos homens que Jessop expulsou para Jeffs em 2007 ou 2008 foi William Edward Chatwin, que estava na época com quase 70 anos. A única esposa de Chatwin também foi tomada dele. Até hoje, Chatwin ainda não pode ver seus filhos, que se mantêm fiéis a Jeffs.

Um filho que não está seguindo Jeffs, Andrew Chatwin, disse que nem ele nem seu pai sequer receberam um pedido de desculpas de Jessop.

"Se ele quer construir sua credibilidade de novo, acho que [um pedido de desculpas] é parte do processo", disse Andrew Chjatwin.

O fim dos banimentos - Jessop disse que ele às vezes questionava o que estava fazendo, mas acreditava que Deus falava através de Jeffs e continuava aceitando as ordens de Jeffs. Então, em 24 de janeiro de 2007, Jeffs ligou para Jessop da Cadeia do Condado de Washington.

Jeffs estava aguardando julgamento por acusações de estupro como cúmplice. Jessop estava vivendo numa casa da igreja FSUD em Westcliffe, Colorado. De acordo com uma transcrição da ligação que se tornou pública mais tarde, Jeffs se autodenominou "um dos homens mais perversos na face da Terra". Ele disse que Jessop era o "detentor da chave" e fez referência à Seção 43 de Doutrina e Convênios, que diz que apenas o profeta pode fazer revelações pela igreja.

Jeffs, ao que parece, tinha abdicado de seu papel como profeta e líder FSUD em favor de Jessop.

Uma reunião de homens FSUD do alto escalão foi realizada rapidamente em Amarillo, Texas. Os homens falaram sobre o que Jeffs tinha feito e o que fazer em seguida, mas nenhuma decisão foi tomada.

"Estávamos apenas meio que sentados lá em um limbo por cerca de dois meses", lembra Jessop.

Então, um dos irmãos de Jeffs, Nephi Jeffs, ligou para Jessop.

"Ele está de volta", disse Nephi Jeffs, se referindo ao irmão.

Tão rapidamente como ele entregou, Jeffs reassumiu o controle da igreja FSUD. Então, em 25 de outubro de 2007, outra ligação foi recebida.

Era Merril Jessop, outro membro SUD do alto escalão. Merril deu a entender estar lendo uma revelação de Jeffs. Ela dizia que William Jessop não detinha mais o sacerdócio e deveria ir para Winsconsin e se arrepender. A revelação não especificava o que Jessop tinha feito. Ele assume que foi banido para Winsconsin porque era longe de qualquer FSUD.

Jessop foi para a cidade de La Crosse, Wisconsin, no Rio Mississipie trabalhou pintando casas e tirando leite de vacas. Ele disse que quatro de suas "damas" (terminologia polígama para esposas espirituais) estavam vivendo com ele. Ele passou 13 meses lá antes de receber outro telefonema de Merril.

Jessop podia retornar a Hildale. Nenhuma explicação foi dada. Mas Merril disse que Jessop deveria começar a tentar reunir famílias.

Jessop encontrou uma lista de homens que tinham sido expulsos e começou a telefonar e dizer para eles voltarem.

"Confesse tudo perante ele" - Jessop continuou trabalhando e vivendo com os FSUD, mas sua fé em Jeffs começou a oscilar. Jeffs continuava mandando para seus seguidores longas divagações escritas advertindo do mal. O irmão de Jeffs, Lyle, deveria estar cuidando das mulheres cujos maridos tinham sido expulsos. Mas contas não estavam sendo pagas e algumas mulheres e seus filhos relataram que seus utilitários estavam sendo cortados. O armazém do bispo, onde os membros FSUD deveriam encontrar comida e suprimentos, tinha prateleiras vazias.

Então, no começo de 2011, Willie Jessop contou a Jessop sobre as evidências contra Jeffs, incluindo como Jeffs abusou sexualmente de uma criança de 12 anos. Jessop decidiu que o reinado de Jeffs não fazia sentido.

"A voz que eu estava ouvindo não era a voz de Deus", explicou Jessop.

Jessop apresentou documentos para o estado de Utah em março de 2011, afirmando que ele era o presidente da corporação FSUD. Jeffs contra-atacou com seu próprio processo, alegando que mantinha o apoio de cerca de 4000 seguidores. Jessop abandonou sua busca pela presidência da FSUD. Até hoje, Jeffs é chamado de presidente da igreja FSUD em documentos apresentados ao estado.

Numa carta endereçada a Lyle Jeffs e a "todos os FSUD", datada de 10 de agosto de 2011, enquanto Jeffs estava em julgamento no Texas, Jessop encorajou todos a se afastarem da liderança FSUD. Ele acusou os Jeffses de acobertar sua própria imoralidade e de conzudir homens a comportamento criminoso que os mandava para a prisão e levou à incursão no Rancho Ansiando por Sião.

"Essa é nossa oportunidade de confessar", escreveu Jessop, "pois o Senhor disse que não será ridicularizado, ou vocês vão cair com os ímpios e serão condenados. Eu os amo e peço ao Senhor para ajudá-los a confessar perante Ele e ser contados entre Seu povo que são os honestos e puros de coração".

Desde então, os seguidores de Jessop tem crescido lentamente. Ao contrário dos seguidores de Jeffs, os seguidores de Jessop são livres para usarem a internet, comer o que quiserem e se associar com quem lhes apetece. Jessop passa a maior parte de seu tempo em Short Creek liderando reuniões dominicais, realizando casamentos e outras obrigações requeridas por sua posição na igreja. Ele também passa tempo em Sandy Valley, Nevada, a sudeste de Las Vegas, onde sua família administra uma fazenda de feno e laticínios.

Durante um intervalo entre jogos de vôlei, Jessop discutiu as pessoas que fundaram Short Creek, descrevendo-as como boas e "virtuosas". Aqueles que permanecem em Short Creek, disse, tem uma responsabilidade de continuar esse legado.

Jessop disse que não tem mais uso para Jeffs mas sugeriu que está aberto aos seguidores de Jeffs que se unirem a ele.

"Se eles perceberem o que ele é", disse, " e perceber que eles têm responsabilidades e quiserem vir a nós, ótimo".

William E. Jessop
Idade • 43
Família • Sua esposa legal é Joanna Jessop, 53, com quem tem 11 filhos.
Residência • Vive em Hildale, mas sua família tem um rancho em Sandy Valley, Nevada.
Emprego • Jessop trabalhou em construção, pintando casas e em fazendas, embora tenha passado grande parte de sua vida trabalhando em várias posições na Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.