Poligamia: união conjugal de uma pessoa com várias outras. Poliginia: estado de um homem casado simultaneamente com várias mulheres. Poliandria: estado de uma mulher casada simultaneamente com vários homens. Poliamor: prática, desejo ou aceitação de ter mais de um relacionamento íntimo simultaneamente com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos, não devendo no entanto ser confundido com pansexualidade. (Fontes: Dic. Houaiss/Wikipedia)
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sexta-feira, 30 de agosto de 2013
TLC estreia novo reality show sobre poligamia
O canal pago americano TLC está se preparando para apresentar seus telespectadores a uma nova família polígama. Mas se você pensa que essa é apenas uma nova versão do reality show Sister Wives, você pode ser agradavelmente surpreendido pela reviravolta do programa sobre os valores poligâmicos.
O especial de uma hora My Five Wives vai estrear no dia 15 de setembro às 21h00. A série vai apresentar uma família polígama que abandonou a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais conhecida como Igreja Mórmon, em protesto a suas crenças conservadoras.
Como só o TLC sabe fazer, o sucesso do especial pode levar a uma série.
Brady Williams, suas cinco esposas e um total de 24 filhos, moram próximo a Salt Lake City. Eles acreditam em todo tipo de ideias progressistas que não são compartilhadas pela Igreja Mórmon, incluindo igualdade para todos e um Deus que aceita a todos.
Evitados por seus antigos irmãos da Igreja, a família diz que são polígamos por escolha e não apenas por causa de uma doutrina religiosa.
Produzido pela Relativity Television, a série também vai mais fundo nos relacionamentos da família que Sister Wives. Câmeras foram permitidas nos quartos e as mulheres falam abertamente sobre seus horários com Brady.
Para ler descrições sobre os participantes do especial, clique aqui.
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segunda-feira, 17 de junho de 2013
Dia dos Pais nos EUA: polígamos
| Foto: Divulgação/National Geographic Channel |
Numa entrevista com a correspondente da rede ABC Cecília Vega, Rose Marie Cawley, de 19 anos, explica sua jornada espiritual para encontrar o marido polígamo com quem ela está destinada a se casar. Vega pergunta a Michael Cawley se ele se importaria se sua filha se casasse com um homem de 70 anos.
Cawley respondeu: "Se é essa a resposta, que vem de nosso Pai Celestial, ótimo".
Essa afirmação pode provocar um grande choque do público, apesar dos aspectos normais de uma família polígama moderna. Muitos consideram um relacionamento entre uma mulher de 19 anos com um homem de 70 terrível, apesar das convicções religiosas.
No entanto, tem havido inúmeros relatos de mulheres mais jovens que se casam com homens bem mais velhos, sem quaisquer razões espirituais. Tipicamente, esses casos possuem um elemento financeiro no processo de decisão. Embora a sociedade possa ainda considerar esse tipo de relacionamento não-religioso inquietante, nós diferenciamos entre os dois cenários? Em outras palavras, importa se uma mulher escolhe um homem por razões religiosas ou por benefícios financeiros?
Michael Cawley decidiu expor sua vida como polígamo para o público a fim de descriminalizar a poligamia, que é ilegal nos 50 estados dos EUA. Ele menciona que a poligamia deveria ser considerada uma religião, não um crime.
Se um pai permite que sua filha se case com quem Deus escolhe para ela, a lei intervém e onde? Com 18 filhos em suas mãos, Michael ainda planeja ter mais, enquanto busca mais esposas. O homem deveria ter liberdade de ter quantas mulheres escolher juntamente com inúmeros filhos? Isso leva a uma discussão pública sobre controle populacional, mudanças econômicas numa dinâmica familiar, preocupações legais e impacto ambiental.
Vega pergunta à primeira esposa se ela tem escolha sobre quantas esposas podem se unir à família. Ela responde: "Na verdade não, porque do modo como eu entrei na família que eu acreditava que eu pertencia ao Michael, eu não posso dizer que ninguém mais pertence a ele. Isso é entre Michael e Deus".
A agência das mulheres num relacionamento polígamo é debatido regularmente entre estudiosos, comentaristas, feministas e críticos. Como Vega revela, embora as mulheres tenham o direito de escolher seu marido polígamo, isso é delegado por uma figura masculina, Deus, a quem elas se referem como "Ele" ou "Pai".
Dado a aceitação de Michael Cawley da hipotética escolha de sua filha (a escolha de Deus, de se casar com um homem de 70 anos de idade, o que isso implica em futuras situações comprometedoras? Por exemplo, e se esse homem mais velho abusasse dela com a desculpa de que era a vontade de Deus? Michael Cawling aceitaria tal afirmação? Isso ressalta a importância de como essa construção relacional em particular impacta a sociedade.
Embora seja impressionante que Cawley seja capaz de criar e prover para 18 filhos, não vamos nos esquecer que ele tem a assistência dedicada e a lealdade de três esposas. Kody Brown, pai e polígamo, no reality show Sister Wives é citado dizendo: "Amar múltiplas esposas é como amar múltiplos filhos". Essa observação sem escrúpulos provoca um obstáculo para a legalização ou a aceitação dessa dinâmica familiar dentro da sociedade. A sociedade já permite que relacionamentos opressivos operem legalmente dentro das construções heteronormativas da monogamia. Acolhemos bem a liberdade de uma família de escolher seu estilo de vida mesmo se ela negar os direitos individuais dentro da unidade? O Dia dos Pais é sobre agradecer, respeitar e honrar os homens que nos criaram. Nesse dia, torna-se, de alguma maneira, mais louvável ser um pai polígamo?
As informações são do blog de Andreea Nica, do Huffington Post.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Um homem e uma mulher não é única configuração de família na Bíblia, afirmam teólogos
Nos EUA, em plena discussão sobre o casamento gay, três pesquisadores de importantes universidades de Iowa publicaram há cinco dias um estudo sobre a questão do casamento na Bíblia. Hector Avalos, Robert R. Cargill e Kenneth Atkinson são professores universitários e afirmam que a Bíblia não coloca o casamento como algo entre um homem e uma mulher, ao contrário. Confira o texto na íntegra traduzido por nós:
O debate sobre igualdade no casamento frequentemente centra-se, por mais que discretamente, num apelo à Bíblia. Infelizmente, tais apelos frequentemente refletem uma falta de conhecimento bíblico por parte daqueles que usam essa coleção complexa de textos como uma autoridade para decretar política social moderna.O texto original pode ser encontrado no site The Des Moines Register.
Como estudiosos acadêmicos da Bíblia, desejamos esclarecer que os textos bíblicos não apoiam a alegação frequente de que o casamento entre um homem e uma mulher é o único tipo de casamento considerado aceitável pelos autores da Bíblia.
O fato de que o casamento não é definido apenas como aquele entre um homem e uma mulher reflete-se no verbete sobre "casamento" no competente Eerdmans Dictionary of the Bible (2000): "Casamento é uma expressão de padrões familiares de parentesco nos quais tipicamente uma mulher e pelo menos uma mulher coabitam publica e permanentemente como uma unidade social básica" (pág. 861).
A frase "pelo menos uma mulher" reconhece que a poligamia não apenas era permitida, mas algumas figuras bíblicas polígamas (p.ex. Abraão, Jacó) foram altamente abençoados. Em 2 Samuel 12:8, o autor diz que foi Deus quem Deus múltiplas esposas a Davi: "dei-te a casa de teu senhor e as mulheres de teu senhor em teus braços; (...) e, se isto fora pouco, eu teria acrescentado tais e tais coisas" (Revised Standard Version).
De fato, havia uma variedade of uniões e configurações familiares que eram admissíveis nas culturas que produziram a Bíblia e estas variavam da monogamia (Tito 1:6) àquelas em que vítimas de estupro eram forçadas a se casar com seu estuprador (Deuteronômio 22:28-29) e àquelas ordens de casamento levirato que obrigavam um homem a se casar com a viúva de seu irmão independente do estado civil do irmão vivo (Deuteronômio 25:5-10; Gênesis 38; Rute 2:4). Outros insistem que o celibato era a opção preferida (2 Coríntios 7:8, 28).
Embora alguns possam ver a interpretação de Jesus para Gênesis 2:24 em Mateus 19:3-10 como um endosso da monogamia, Jesus e outros intérpretes judeus concederam que havia também entendimentos não-monogâmicos dessa passagem no judaísmo antigo, incluindo aqueles que permitiam divórcio e segundo casamento.
Na verdade, durante uma discussão do casamento em Mateus 19:12, Jesus até encoraja aqueles que podem se castrar "para o reino" e viver uma vida de celibato.
Esdras 10:2-11 proíbe o casamento inter-racial e ordena àquelas pessoas de Deus que já tinham esposas estrangeiras a se divorciarem delas imediatamente.
Então, enquanto não é correto afirmar que os textos bíblicos permitiriam casamentos entre pessoas do mesmo sexo, é igualmente incorreto declarar que um casamento entre "um homem e uma mulher" é o único tipo de casamento admissível considerado legítimo nos textos bíblicos.
Este não é apenas nossa opinião acadêmica moderna. Esta visão de definições múltiplas de casamento "bíblico" tem sido reconhecido por alguns dos mais proeminentes nomes na cristandade. Por exemplo, o célebre reformacionista Martinho Lutero escreveu uma carta em 1524 na qual ele comentou sobre a poligamia como segue: "Confesso que não posso proibir uma pessoa de se casar com várias esposas, pois isto não se opõe às Sagradas Escrituras".
Consequentemente, devemos nos guardar contra a tentativa de usar textos antigos para regular ética e morais modernas, especialmente aqueles textos antigos cujos endossos de outras instituições sociais, tais como escravidão, seriam universalmente condenados hoje, mesmo pelos mais partidários dos cristãos.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Sister Wife (2009) - documentário em curta-metragem
A cineasta Jill Orschel oferece, nesse curta-metragem, um raro vislumbre na vida de uma esposa polígama. Sua entrevista com a mórmon fundamentalista DoriAnn, que compartilha um marido com sua irmã biológica mais nova, é um retrato incrivelmente revelador de seus sentimentos sobre seu estilo de vida, razões para abraçá-lo e os desafios que ela enfrenta. Essa visão franca da escolha pessoal e tradição, que combina confissões cândidas com imagens de uma meditação pessoal durante o banho, apessenta sua temática com uma intimidade impressionante e sem julgamento. Fãs da série Amor Imenso (Big Love), da HBO, ou mesmo aqueles com um fascínio temporário sobre a cultura polígama certamente vão aprender algo sobre essa escolha de vida bem real.
Infelizmente o vídeo está disponível apenas em inglês, sem legendas em português.
Diretora: Jill Orschel
Produtoras: Alexandra Fuller e Jill Orschel
Produção Executiva: Elie McLaren, George Klopfer, Cassandra e Phillip Watson
Fotografia: Shawn Emery and Jill Orschel
Montagem: Jill Orschel e Alexandra Fuller
Música de: Rich Wyman e Lisa Needham
Supervisão de Pós-Produção: Kim Holmes
Mixagem de som: Dave Evenoff
Correção de cores: Steve Homes/Main Frame Digital
Masterização digital: Adam Van Wagoner/Savage Pictures
Patrocínio fiscal: Utah Film Center
Página no IMDb: http://www.imdb.com/title/tt1352844/
sexta-feira, 15 de março de 2013
A poligamia e suas vantagens
Leia aqui o artigo do Sheikh Abdelbagi Sidahmed Osman, sudanês naturalizado brasileiro, imam da comunidade Muçulmana do RJ de 1993 e atual presidente desde 2000, representante da Liga Islâmica Mundial e da Organização Islâmica para a América Latina no Brasil, sobre as vantagens da poligamia.
quarta-feira, 13 de março de 2013
A Poligamia no Islamismo - Yasser Fazaga
O Sheikh Yasser Fazaga fala sobre a prática da poligamia no Islã e os aspectos da multiplicidade do casamento islâmico.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Antes braço direito de Warren Jeffs. agora William Jessop se opõe a ele
Centenas de polígamos o consideram seu profeta, vidente e revelador. Mas nas tardes de domingo, William E. Jessop bloqueia uma bola de vôlei sobre qualquer um deles.
Jessop e seus seguidores se encontram no ginásio do Colégio El Capitan depois da igreja. Enquanto as crianças jogam basquete, os adolescentes e adultos jogam vôlei. Jessop, de 43 anos, é um dos jogadores mais intensos, anunciando o placar antes de cada serviço, passando a bola para colegas de time mais altos e arremessando seu corpo de 1,82m no ar para bloquear a bola sobre qualquer homem, mulher ou criança que jogue contra ele.
Os jogos são remanescentes de tempos melhores nas cidades irmãs de Colorado City, Arizona, e Hildale, Utah, ainda chamada de "Short Creek" pelos residentes. Antes da ascensão de Warren Jeffs ao poder na Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, crianças e adultos jogavam abertamente. Visitantes eram bem-vindos e a comunidade era, bem, uma comunidade.
Jessop está tentando restabelecer um pouco dessa comunhão.Autorizado por um comunicado que Jeffs fez na prisão, Jessop se separou de Jeffs. E centenas de outros refugiados do reino de Jeffs o estão seguindo.
O grupo, que ainda não tem um nome, ainda abraça a poligamia como um princípio. Membros se referem a Jessop como "Tio William" e seu retrato frequentemente está pendurado nas paredes de suas casas junto com o do fundador mórmon Joseph Smith e outros homens que eles têm considerado profetas por quase dois séculos.
A recreação pode ser a menor das mudanças que Jessop está fazendo. Ele disse que garotas menores de idade não serão forçadas a se casar nem terão casamentos arranjados para elas. Se adolescentes quiserem se casar, Jessop diz, ele vai encorajá-las a considerar as implicações.
"Não queremos fazer nada que infrinja a lei", disse.
Sobre o tema do casamento, ele acrescentou mais tarde: "Encorajaremos [as garotas] a esperarem e a aprender as qualidades da vida e aproveitar a vida e não entrar em algo de que elas podem se arrepender".
Jessop disse que as mulheres são livres para trabalhar fora. E ele quer que as crianças de Hildale e Colorado City tenham diplomas do colegial e da faculdade como já tiveram um dia. Jessop e sua primeira esposa, Joanna, com quem está casado há 22 anos, tem uma filha fazendo residência como médica assistente em Nevada.
Não se sabe quantas mudanças Jessop pode implementar. Pensa-se que os seguidores de Jeffs ainda existem aos milhares e eles controlam o governo municipal em Short Creek, assim como os conselhos e a polícia local. Jeffs deve agradecer a Jessop por manter alguma dessa influência.
Essa náo é a primeira vez que Jessop, cujo nome de batismo é William E. Timpson, tomou parte numa cisão e reforma. Nos anos 1980, seu pai, Alma A. Timpson, esteve entre os homens FSUD que se separaram da igreja numa disputa sobre quem controlava recursos, formando uma nova comunidade poligâmica chamada Centennial Park.
A cisão dividiu famílias. A mãe de Jessop, Kathy Jessop, decidiu não se unir a seu marido. Ela permaneceu com os FSUD e se casou com o reverenciado bispo local, Fred Jessop.
William também tomou o sobrenome de seu padrasto. Anos mais tarde, algumas pessoas o confundiria com Willie Jessop, o gregário proprietário da companhia de escavação que, por um tempo, serviu como porta-voz de Jeffs e da igreja. Willie Jessop também abandonou Jeffs e agora segue "Tio William".
Jessop deve um pouco de sua ascensão eclesiástica à família Jeffs. Pouco antes de ele morrer, o então profeta FSUD Rulon Jeffs transformou Jessop em apóstolo.
Com seu pai, Rulon, morto, Warren Jeffs assumiu a liderança FSUD e manteve Jessop como um de seus principais homens. Num padrão que continua até hoje, apesar de estar na prisão, Jeffs excomungaria homens e garotos adolescentes, dúzias por vez, depois de alegar receber uma revelação de que eles cometeram alguma transgressão.
Jessop passou anos como bispo de Short Creek e foi frequentemente seu trabalho dar a notícias às pessoas que Jeffs estava mandando embora. Durante um jantar semana passada num restaurante em St. George, Jessop descreveu como ele chamaria cada homem para uma reunião. Frequentemente, Jessop simplesmente diria a eles que o "Tio Warren" teve uma revelação — eles não tinham mais o sacerdócio e deveriam se arrepender. Isso significava que eles tinham que deixar Short Creek. Quaisquer esposas ou crianças que seguissem também seriam excomungadas. Aqueles que permanecessem seriam atribuídos a outros homens.
Jessop reconheceu ter tomado algumas dessas mulheres como suas próprias esposas. Registros apreendidos pelas autoridades do Texas na incursão do Rancho Ansiando por Sião em 2008 mostram que Jessop tinha 11 esposas em 2006. Jessop diz que ele tem muito menos esposas agora.
Expulsões como as que Jessop supervisionou eram devastadoras. Os excomungados não tinham mais um caminho para o Paraíso. Aqui na Terra, eles estavam separados fisica e espiritualmente dos amigos e da família.
Um dos homens que Jessop expulsou para Jeffs em 2007 ou 2008 foi William Edward Chatwin, que estava na época com quase 70 anos. A única esposa de Chatwin também foi tomada dele. Até hoje, Chatwin ainda não pode ver seus filhos, que se mantêm fiéis a Jeffs.
Um filho que não está seguindo Jeffs, Andrew Chatwin, disse que nem ele nem seu pai sequer receberam um pedido de desculpas de Jessop.
"Se ele quer construir sua credibilidade de novo, acho que [um pedido de desculpas] é parte do processo", disse Andrew Chjatwin.
O fim dos banimentos - Jessop disse que ele às vezes questionava o que estava fazendo, mas acreditava que Deus falava através de Jeffs e continuava aceitando as ordens de Jeffs. Então, em 24 de janeiro de 2007, Jeffs ligou para Jessop da Cadeia do Condado de Washington.
Jeffs estava aguardando julgamento por acusações de estupro como cúmplice. Jessop estava vivendo numa casa da igreja FSUD em Westcliffe, Colorado. De acordo com uma transcrição da ligação que se tornou pública mais tarde, Jeffs se autodenominou "um dos homens mais perversos na face da Terra". Ele disse que Jessop era o "detentor da chave" e fez referência à Seção 43 de Doutrina e Convênios, que diz que apenas o profeta pode fazer revelações pela igreja.
Jeffs, ao que parece, tinha abdicado de seu papel como profeta e líder FSUD em favor de Jessop.
Uma reunião de homens FSUD do alto escalão foi realizada rapidamente em Amarillo, Texas. Os homens falaram sobre o que Jeffs tinha feito e o que fazer em seguida, mas nenhuma decisão foi tomada.
"Estávamos apenas meio que sentados lá em um limbo por cerca de dois meses", lembra Jessop.
Então, um dos irmãos de Jeffs, Nephi Jeffs, ligou para Jessop.
"Ele está de volta", disse Nephi Jeffs, se referindo ao irmão.
Tão rapidamente como ele entregou, Jeffs reassumiu o controle da igreja FSUD. Então, em 25 de outubro de 2007, outra ligação foi recebida.
Era Merril Jessop, outro membro SUD do alto escalão. Merril deu a entender estar lendo uma revelação de Jeffs. Ela dizia que William Jessop não detinha mais o sacerdócio e deveria ir para Winsconsin e se arrepender. A revelação não especificava o que Jessop tinha feito. Ele assume que foi banido para Winsconsin porque era longe de qualquer FSUD.
Jessop foi para a cidade de La Crosse, Wisconsin, no Rio Mississipie trabalhou pintando casas e tirando leite de vacas. Ele disse que quatro de suas "damas" (terminologia polígama para esposas espirituais) estavam vivendo com ele. Ele passou 13 meses lá antes de receber outro telefonema de Merril.
Jessop podia retornar a Hildale. Nenhuma explicação foi dada. Mas Merril disse que Jessop deveria começar a tentar reunir famílias.
Jessop encontrou uma lista de homens que tinham sido expulsos e começou a telefonar e dizer para eles voltarem.
"Confesse tudo perante ele" - Jessop continuou trabalhando e vivendo com os FSUD, mas sua fé em Jeffs começou a oscilar. Jeffs continuava mandando para seus seguidores longas divagações escritas advertindo do mal. O irmão de Jeffs, Lyle, deveria estar cuidando das mulheres cujos maridos tinham sido expulsos. Mas contas não estavam sendo pagas e algumas mulheres e seus filhos relataram que seus utilitários estavam sendo cortados. O armazém do bispo, onde os membros FSUD deveriam encontrar comida e suprimentos, tinha prateleiras vazias.
Então, no começo de 2011, Willie Jessop contou a Jessop sobre as evidências contra Jeffs, incluindo como Jeffs abusou sexualmente de uma criança de 12 anos. Jessop decidiu que o reinado de Jeffs não fazia sentido.
"A voz que eu estava ouvindo não era a voz de Deus", explicou Jessop.
Jessop apresentou documentos para o estado de Utah em março de 2011, afirmando que ele era o presidente da corporação FSUD. Jeffs contra-atacou com seu próprio processo, alegando que mantinha o apoio de cerca de 4000 seguidores. Jessop abandonou sua busca pela presidência da FSUD. Até hoje, Jeffs é chamado de presidente da igreja FSUD em documentos apresentados ao estado.
Numa carta endereçada a Lyle Jeffs e a "todos os FSUD", datada de 10 de agosto de 2011, enquanto Jeffs estava em julgamento no Texas, Jessop encorajou todos a se afastarem da liderança FSUD. Ele acusou os Jeffses de acobertar sua própria imoralidade e de conzudir homens a comportamento criminoso que os mandava para a prisão e levou à incursão no Rancho Ansiando por Sião.
"Essa é nossa oportunidade de confessar", escreveu Jessop, "pois o Senhor disse que não será ridicularizado, ou vocês vão cair com os ímpios e serão condenados. Eu os amo e peço ao Senhor para ajudá-los a confessar perante Ele e ser contados entre Seu povo que são os honestos e puros de coração".
Desde então, os seguidores de Jessop tem crescido lentamente. Ao contrário dos seguidores de Jeffs, os seguidores de Jessop são livres para usarem a internet, comer o que quiserem e se associar com quem lhes apetece. Jessop passa a maior parte de seu tempo em Short Creek liderando reuniões dominicais, realizando casamentos e outras obrigações requeridas por sua posição na igreja. Ele também passa tempo em Sandy Valley, Nevada, a sudeste de Las Vegas, onde sua família administra uma fazenda de feno e laticínios.
Durante um intervalo entre jogos de vôlei, Jessop discutiu as pessoas que fundaram Short Creek, descrevendo-as como boas e "virtuosas". Aqueles que permanecem em Short Creek, disse, tem uma responsabilidade de continuar esse legado.
Jessop disse que não tem mais uso para Jeffs mas sugeriu que está aberto aos seguidores de Jeffs que se unirem a ele.
"Se eles perceberem o que ele é", disse, " e perceber que eles têm responsabilidades e quiserem vir a nós, ótimo".
William E. Jessop
Idade • 43
Família • Sua esposa legal é Joanna Jessop, 53, com quem tem 11 filhos.
Residência • Vive em Hildale, mas sua família tem um rancho em Sandy Valley, Nevada.
Emprego • Jessop trabalhou em construção, pintando casas e em fazendas, embora tenha passado grande parte de sua vida trabalhando em várias posições na Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Jessop e seus seguidores se encontram no ginásio do Colégio El Capitan depois da igreja. Enquanto as crianças jogam basquete, os adolescentes e adultos jogam vôlei. Jessop, de 43 anos, é um dos jogadores mais intensos, anunciando o placar antes de cada serviço, passando a bola para colegas de time mais altos e arremessando seu corpo de 1,82m no ar para bloquear a bola sobre qualquer homem, mulher ou criança que jogue contra ele.
Os jogos são remanescentes de tempos melhores nas cidades irmãs de Colorado City, Arizona, e Hildale, Utah, ainda chamada de "Short Creek" pelos residentes. Antes da ascensão de Warren Jeffs ao poder na Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, crianças e adultos jogavam abertamente. Visitantes eram bem-vindos e a comunidade era, bem, uma comunidade.
Jessop está tentando restabelecer um pouco dessa comunhão.Autorizado por um comunicado que Jeffs fez na prisão, Jessop se separou de Jeffs. E centenas de outros refugiados do reino de Jeffs o estão seguindo.
O grupo, que ainda não tem um nome, ainda abraça a poligamia como um princípio. Membros se referem a Jessop como "Tio William" e seu retrato frequentemente está pendurado nas paredes de suas casas junto com o do fundador mórmon Joseph Smith e outros homens que eles têm considerado profetas por quase dois séculos.
A recreação pode ser a menor das mudanças que Jessop está fazendo. Ele disse que garotas menores de idade não serão forçadas a se casar nem terão casamentos arranjados para elas. Se adolescentes quiserem se casar, Jessop diz, ele vai encorajá-las a considerar as implicações.
"Não queremos fazer nada que infrinja a lei", disse.
Sobre o tema do casamento, ele acrescentou mais tarde: "Encorajaremos [as garotas] a esperarem e a aprender as qualidades da vida e aproveitar a vida e não entrar em algo de que elas podem se arrepender".
Jessop disse que as mulheres são livres para trabalhar fora. E ele quer que as crianças de Hildale e Colorado City tenham diplomas do colegial e da faculdade como já tiveram um dia. Jessop e sua primeira esposa, Joanna, com quem está casado há 22 anos, tem uma filha fazendo residência como médica assistente em Nevada.
Não se sabe quantas mudanças Jessop pode implementar. Pensa-se que os seguidores de Jeffs ainda existem aos milhares e eles controlam o governo municipal em Short Creek, assim como os conselhos e a polícia local. Jeffs deve agradecer a Jessop por manter alguma dessa influência.
Essa náo é a primeira vez que Jessop, cujo nome de batismo é William E. Timpson, tomou parte numa cisão e reforma. Nos anos 1980, seu pai, Alma A. Timpson, esteve entre os homens FSUD que se separaram da igreja numa disputa sobre quem controlava recursos, formando uma nova comunidade poligâmica chamada Centennial Park.
A cisão dividiu famílias. A mãe de Jessop, Kathy Jessop, decidiu não se unir a seu marido. Ela permaneceu com os FSUD e se casou com o reverenciado bispo local, Fred Jessop.
William também tomou o sobrenome de seu padrasto. Anos mais tarde, algumas pessoas o confundiria com Willie Jessop, o gregário proprietário da companhia de escavação que, por um tempo, serviu como porta-voz de Jeffs e da igreja. Willie Jessop também abandonou Jeffs e agora segue "Tio William".
Jessop deve um pouco de sua ascensão eclesiástica à família Jeffs. Pouco antes de ele morrer, o então profeta FSUD Rulon Jeffs transformou Jessop em apóstolo.
Com seu pai, Rulon, morto, Warren Jeffs assumiu a liderança FSUD e manteve Jessop como um de seus principais homens. Num padrão que continua até hoje, apesar de estar na prisão, Jeffs excomungaria homens e garotos adolescentes, dúzias por vez, depois de alegar receber uma revelação de que eles cometeram alguma transgressão.
Jessop passou anos como bispo de Short Creek e foi frequentemente seu trabalho dar a notícias às pessoas que Jeffs estava mandando embora. Durante um jantar semana passada num restaurante em St. George, Jessop descreveu como ele chamaria cada homem para uma reunião. Frequentemente, Jessop simplesmente diria a eles que o "Tio Warren" teve uma revelação — eles não tinham mais o sacerdócio e deveriam se arrepender. Isso significava que eles tinham que deixar Short Creek. Quaisquer esposas ou crianças que seguissem também seriam excomungadas. Aqueles que permanecessem seriam atribuídos a outros homens.
Jessop reconheceu ter tomado algumas dessas mulheres como suas próprias esposas. Registros apreendidos pelas autoridades do Texas na incursão do Rancho Ansiando por Sião em 2008 mostram que Jessop tinha 11 esposas em 2006. Jessop diz que ele tem muito menos esposas agora.
Expulsões como as que Jessop supervisionou eram devastadoras. Os excomungados não tinham mais um caminho para o Paraíso. Aqui na Terra, eles estavam separados fisica e espiritualmente dos amigos e da família.
Um dos homens que Jessop expulsou para Jeffs em 2007 ou 2008 foi William Edward Chatwin, que estava na época com quase 70 anos. A única esposa de Chatwin também foi tomada dele. Até hoje, Chatwin ainda não pode ver seus filhos, que se mantêm fiéis a Jeffs.
Um filho que não está seguindo Jeffs, Andrew Chatwin, disse que nem ele nem seu pai sequer receberam um pedido de desculpas de Jessop.
"Se ele quer construir sua credibilidade de novo, acho que [um pedido de desculpas] é parte do processo", disse Andrew Chjatwin.
O fim dos banimentos - Jessop disse que ele às vezes questionava o que estava fazendo, mas acreditava que Deus falava através de Jeffs e continuava aceitando as ordens de Jeffs. Então, em 24 de janeiro de 2007, Jeffs ligou para Jessop da Cadeia do Condado de Washington.
Jeffs estava aguardando julgamento por acusações de estupro como cúmplice. Jessop estava vivendo numa casa da igreja FSUD em Westcliffe, Colorado. De acordo com uma transcrição da ligação que se tornou pública mais tarde, Jeffs se autodenominou "um dos homens mais perversos na face da Terra". Ele disse que Jessop era o "detentor da chave" e fez referência à Seção 43 de Doutrina e Convênios, que diz que apenas o profeta pode fazer revelações pela igreja.
Jeffs, ao que parece, tinha abdicado de seu papel como profeta e líder FSUD em favor de Jessop.
Uma reunião de homens FSUD do alto escalão foi realizada rapidamente em Amarillo, Texas. Os homens falaram sobre o que Jeffs tinha feito e o que fazer em seguida, mas nenhuma decisão foi tomada.
"Estávamos apenas meio que sentados lá em um limbo por cerca de dois meses", lembra Jessop.
Então, um dos irmãos de Jeffs, Nephi Jeffs, ligou para Jessop.
"Ele está de volta", disse Nephi Jeffs, se referindo ao irmão.
Tão rapidamente como ele entregou, Jeffs reassumiu o controle da igreja FSUD. Então, em 25 de outubro de 2007, outra ligação foi recebida.
Era Merril Jessop, outro membro SUD do alto escalão. Merril deu a entender estar lendo uma revelação de Jeffs. Ela dizia que William Jessop não detinha mais o sacerdócio e deveria ir para Winsconsin e se arrepender. A revelação não especificava o que Jessop tinha feito. Ele assume que foi banido para Winsconsin porque era longe de qualquer FSUD.
Jessop foi para a cidade de La Crosse, Wisconsin, no Rio Mississipie trabalhou pintando casas e tirando leite de vacas. Ele disse que quatro de suas "damas" (terminologia polígama para esposas espirituais) estavam vivendo com ele. Ele passou 13 meses lá antes de receber outro telefonema de Merril.
Jessop podia retornar a Hildale. Nenhuma explicação foi dada. Mas Merril disse que Jessop deveria começar a tentar reunir famílias.
Jessop encontrou uma lista de homens que tinham sido expulsos e começou a telefonar e dizer para eles voltarem.
"Confesse tudo perante ele" - Jessop continuou trabalhando e vivendo com os FSUD, mas sua fé em Jeffs começou a oscilar. Jeffs continuava mandando para seus seguidores longas divagações escritas advertindo do mal. O irmão de Jeffs, Lyle, deveria estar cuidando das mulheres cujos maridos tinham sido expulsos. Mas contas não estavam sendo pagas e algumas mulheres e seus filhos relataram que seus utilitários estavam sendo cortados. O armazém do bispo, onde os membros FSUD deveriam encontrar comida e suprimentos, tinha prateleiras vazias.
Então, no começo de 2011, Willie Jessop contou a Jessop sobre as evidências contra Jeffs, incluindo como Jeffs abusou sexualmente de uma criança de 12 anos. Jessop decidiu que o reinado de Jeffs não fazia sentido.
"A voz que eu estava ouvindo não era a voz de Deus", explicou Jessop.
Jessop apresentou documentos para o estado de Utah em março de 2011, afirmando que ele era o presidente da corporação FSUD. Jeffs contra-atacou com seu próprio processo, alegando que mantinha o apoio de cerca de 4000 seguidores. Jessop abandonou sua busca pela presidência da FSUD. Até hoje, Jeffs é chamado de presidente da igreja FSUD em documentos apresentados ao estado.
Numa carta endereçada a Lyle Jeffs e a "todos os FSUD", datada de 10 de agosto de 2011, enquanto Jeffs estava em julgamento no Texas, Jessop encorajou todos a se afastarem da liderança FSUD. Ele acusou os Jeffses de acobertar sua própria imoralidade e de conzudir homens a comportamento criminoso que os mandava para a prisão e levou à incursão no Rancho Ansiando por Sião.
"Essa é nossa oportunidade de confessar", escreveu Jessop, "pois o Senhor disse que não será ridicularizado, ou vocês vão cair com os ímpios e serão condenados. Eu os amo e peço ao Senhor para ajudá-los a confessar perante Ele e ser contados entre Seu povo que são os honestos e puros de coração".
Desde então, os seguidores de Jessop tem crescido lentamente. Ao contrário dos seguidores de Jeffs, os seguidores de Jessop são livres para usarem a internet, comer o que quiserem e se associar com quem lhes apetece. Jessop passa a maior parte de seu tempo em Short Creek liderando reuniões dominicais, realizando casamentos e outras obrigações requeridas por sua posição na igreja. Ele também passa tempo em Sandy Valley, Nevada, a sudeste de Las Vegas, onde sua família administra uma fazenda de feno e laticínios.
Durante um intervalo entre jogos de vôlei, Jessop discutiu as pessoas que fundaram Short Creek, descrevendo-as como boas e "virtuosas". Aqueles que permanecem em Short Creek, disse, tem uma responsabilidade de continuar esse legado.
Jessop disse que não tem mais uso para Jeffs mas sugeriu que está aberto aos seguidores de Jeffs que se unirem a ele.
"Se eles perceberem o que ele é", disse, " e perceber que eles têm responsabilidades e quiserem vir a nós, ótimo".
William E. Jessop
Idade • 43
Família • Sua esposa legal é Joanna Jessop, 53, com quem tem 11 filhos.
Residência • Vive em Hildale, mas sua família tem um rancho em Sandy Valley, Nevada.
Emprego • Jessop trabalhou em construção, pintando casas e em fazendas, embora tenha passado grande parte de sua vida trabalhando em várias posições na Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Congregação rompe com o "profeta" Warren Jeffs
Depois de deixarem ou serem expulsos pelo líder da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Warren Jeffs, ex-seguidores liderados por William E. Jessop se reúnem silenciosamente para cantar e orar aos domingos. A congregação, adepta da poligamia, localizada na divisa entre os estados americanos de Utah e Arizona vive segundo novas regras sob o menos rigoroso Jessop. Muitos estão nervosos e temem retaliação, mas estão felizes por estarem tendo um novo começo.
| Sam Allred rege uma congregação de membros da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias durante uma reunião dominical da igreja em Hildale. Da esquerda para a direita estão William E. Jessop, Garth Warner, Allred, Dan Timpson e Royce Jessop. (Foto: Trent Nelson - 17.fev.2013/The Salt Lake Tribune) |
Pouco antes das 11h00 no dia 17 de fevereiro, membros da congregação de William E. Jessop começam a parar no estacionamento da escola Holm. Enquanto as primeiras vans param, o ar está tão parado que o som de o som de um copo de plástico rolando pelo asfalto ecoa contra os penhascos próximos. Um galo canta num quintal distante. Redemoinhos de poeira vermelha se formam nas ruas parcialmente pavimentadas.
Rapidamente, homens em ternos cinza carvão e mulheres com cabelos bem penteados para o ginásio, frio como uma caverna, da escola. Eles se sentam em um conjunto de cadeiras incompatíveis com enchimento de espuma estourando através do estofamento puído. Em uma parede, fotos de antigos líderes da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias sorriem beatificamente para o grupo. Vários aquecedores de propano sibilam no silêncio.
Jessop inicia a reunião às 11h05 da manhã. Ele se levanta de sua cadeira no palco do ginásio e vai até um pódio, agarrando vários papéis em ambas as mãos.
"Nós nos sentimos muito abençoados pelo Pai Celestial por nos encontrarmos de novo", diz Jessop.
"Não estamos sozinhos" – Jessop e sua congregação são todos ex-membros da polígama Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Em algum ponto de suas vidas, eles seguiram Warren Jeffs, acreditando que ele fosse um profeta. Eventualmente, todos o abandonaram, frequentemente depois de serem colocados para fora durante um das recentes expulsões da igreja.
Jessop organizou o grupo em abril ou maio de 2011. Quando a congregação começou a se reunir, membros se juntaram no Edifício R&W, uma empresa de escavação de propriedade do ex-porta-voz de Jeffs, Willie Jessop. No outono daquele ano, o grupo se mudou para a escola Holm, um prédio de propriedade do United Effort Plan, agora controlado pelo Estado.
O grupo não tem nome. A primeira esposa de William E. Jessop, Joanna, disse que algumas pessoas na cidade se referem a esses seguidores como "WEJes", sigla pronunciada de modo similar à palavra inglesa "wedges" (cunhas). É uma brincadeira com as iniciais de seu líder. Joanna disse que ela e o rebanho de seu marido não gostam do termo. Quando perguntada sobre o papel dele, Jessop faz uma pausa antes de finalmente se descrever como "bispo em exercício". A congregação o chama de "Tio William" e ele explica que os serviços dominicais começam como um esforço de seguir os ensinamentos de Jesus de se "reunir com frequência".
É para percebermos que não estamos sozinhos em nossos esforços", disse Jessop.
Uma nova canção – Depois das boas-vindas de Jessop, os quase 100 membros da congregação cantam "Let Each Man Learn to Know Himself" — um hino deixado de fora dos últimos hinários SUD mas ainda incluído nos hinários marrons já feitos usados pelo grupo. Muitos dos livros encadernações quebradas e os nomes de ex-membros — incluindo o ex-presidente FSUD Rulon Jeffs — rabiscados dentro. Alguns dos hinários têm etiquetas dizendo que são de uma estaca SUD em Hyrum, 627,64 km ao norte, em Cache County.
No canto, uma mulher com cabelo escuro toca um acompanhamento lento enquanto a congregação canta. Sam Allred, cujo pai liderou um coral SUD há muito tempo, conduz com uma batuta branca. Quando o hino termina, um jovem num terno escuro oferece uma oração, sua cabeça baixa e sua mão direita levantada.
Hino e oração terminadas, Jessop começa a ensinar uma nova música à congregação: "Ere You Left Your Room This Morning", que agora é chamada "Did You Think to Pray?" nos hinários SUD. Jessop lê um verso, e então lidera a congregação enquanto cantam juntos.
"É um esforço para restaurar nossa Escola Dominical", ele explica mais tarde sobre o exercício.
Expulsões e paranoia – Muitas das famílias na congregação de Jessop são pequenas para uma comunidade polígama. Poucos homens aparecem com múltiplas esposas e ninguém tem mais do que um punhado de filhos. Vários adultos até mesmo sentam-se sozinhos.
A frequência na reunião é um testamento dos conflitos que têm rasgado Short Creek em anos recentes. Depois que Warren Jeffs tomou controle da Igreja FSUD em 2002, ele desencadeou expulsões em massa. Muitos homens foram expulsos e suas esposas e filhos foram mandadas para novas famílias. Maridos, esposas e filhos foram separados. Hoje, mesmo em uma prisão no Texas, Jeffs supostamente continua a controlar a igreja e expulsar membros por qualquer razão, incluindo frequentar as reuniões dominicais de Jessop.
Muitos membros da congregação de Jessop, embora não todos, são consequentemente reservados. Eles evitam atenção da mídia e o comparecimento nesse dia pode ter sido menor devido à presença dos repórteres do Salt Lake Tribune. Vários membros do grupo apontaram para câmeras de segurança brancas em edifícios próximos, dizendo que elas existem para registrar pessoas que frequentam a congregação de Jessop ou se envolvem em atividades barradas pelas autodeclaradas revelações de Jeffs.
O medo entre alguns na reunião de Jessop é que, se forem descobertos adorando com o grupo, eles poderiam se expor à ira da liderança FSUD, significando que eels poderiam perder contato com suas famílias, entre outras punições.
Gratos por um profeta – A reunião dominical não oferece comunhão ou sacramento — ele disse que as famílias tipicamente o fazem em casa —, então quando eles acabam de cantar, ele começa a ler da primeira seção ou capítulo de Doutrina e Convênios, um livro de escrituras usado tanto pela Igreja SUD quanto pela FSUD.
Jessop lê as escrituras numa voz suave. Às vezes, o sistema de som quase falha em levar suas palavras ao fundo da sala meio vazia. Enquanto ele lê, dois adolescentes vestindo botas e jeans estalam elásticos um no outro e sussurram confidencialmente. O leve tilintar de um lápis de cor de uma criança batendo no chão ecoa por toda a sala. Muitos adultos seguem em seus smartphones as leituras de Jessop.
Jessop chama três discursantes durante a reunião. A primeira, Janice Knudson, é uma mulher idosa que começa expressando gratidão gratidão pela amizade da congregação.
"Sei que nossos antepassados pagaram um preço por nós", acrescentou.
A história que Knudson lê descreve um homem que viveu durante a Grande Depressão. Seus familiares não tinham dinheiro para comprar comiga, mas miraculosamente estranhos traziam farinha para eles.
Quando Knudson termina, Jessop chama dois homens para falar. O primeiro, Harold Hom, expressa gratidão "pelo profeta Joseph Smith" e pelos outros membros da congregação.
"Eu apenas espero e oro para que o Pai Celestial esteja satisfeito com meus esforços", acrescenta Holm. "Devo defender a verdade e a honra".
O próximo é Garth Warner, que sentou no palco a vários lugares de distância de Jessop. Ele cita uma passagem do Livro de Mórmon antes de devolver o microfone a Jessop.
Jessop também lê do Livro de Mórmon e anuncia o hino final, "We Thank Thee, O God, for a Prophet".
A canção expressa gratidão a Deus por fornecer alguém para "nos guiar nesses últimos dias" e oferece a promessa de que, "quando as nuvens negras da dificuldade pairar sobre nós", a libertação "está próxima".
Em anos passados, a canção deve ter sido escolhida para refletir a fé em Jeffs. Hoje, no entanto, Jessop diz que a escolheu para celebrar o fundador da Igreja SUD Joseph Smith, o "profeta desta dispensação".
A congregação de Jessop a canta devagar, um piano rítmico acompanha ecoando do canto da sala. Os adultos seguem com hinários desgastados de uma geração anterior. Duas adolescentes usando saias longas correm seus dedos pelas tranças bem puxadas e intrincadas.
Quando a canção termina, a congregação se alinha para cumprimentar Jessop e os outros homens sentados à frente. Então eles se amontoam em suas grandes vãs e vão embora.
As informações são do jornal Salt Lake Tribune.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Poligamia é restabelecida na Líbia
| Foto: wordpress.com |
De agora em diante, um homem casado poderá se casar com uma segunda mulher sem o consentimento da primeira e sem a necessidade de uma autorização de um tribunal, segundo o site ansa.it.
O homem tem também de provar perante a justiça que tem os meios financeiros necessários ao sustento de uma família alargada.
A modificação da lei do matrimônio não inclui, contudo, a introdução do "divórcio islâmico", para o qual é necessário o pronunciamento de um tribunal.
Há um ano e meio, o presidente do Conselho Nacional de Transição (opositor a Gadafi durante a guerra civil líbia em 2011), Mustafá Abdel Jalil, assegurou que a Líbia aboliria qualquer norma contrária à lei islâmica.
Vou dar o exemplo da lei do casamento e do divórcio, que proíbe a poligamia. Essa lei contradiz a Sharia", indicou Jalil, em outubro de 2011, poucos dias depois do assassinato de Gadafi nas imediações de Sirte, sua cidade natal.
Com informações das agências internacionais.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Juiz considera descriminalizar poligamia em processo de família do reality show "Sister Wives"
| Kody Brown e suas esposas: a partir da esquerda, Janelle, Meri, Robyn e Christine (Foto: Nigel Parry/People Magazine) |
Kody Brown e suas esposas, Mery, Janelle, Christine e Robyn, estão processando o Estado numa contestação aos estatutos antipoligamia de Utah. Eles argumentam que as leis de Utah criminalizam seu relacionamento — apesar de eles serem adultos responsáveis.
"O que os Brown estão buscando é o que muitas famílias tomam como certo", disse o advogado da família, Jonathan Turley, a repórteres do lado de fora do tribunal, quinta-feira.
A família começou a ser investigada pelas autoridades do Condado de Utah depois que começaram a aparecer no reality show Sister Wives, do canal por assinatura TLC. Eles nunca foram indiciados, mas argumentam que foram colocados sob uma "nuvem de suspeita" pela polícia da cidade de Lehi. Os Brown argumentam que os estatutos antipoligamia de Utah viola seus direitos de liberdade de expressão e livre associação.
"Há dezenas de milhares de famílias no Estado que vive sob essa condenação", disse Turley. "De que são criminosos por causa de como vivem".
Advogados do Estado de Utah argumentaram de que têm o direito de proteger o casamento.
"Não há tribunal algum nesse país que tenha decidido que a prática da poligamia seja um direito fundamental", argumentou o Procurador-Geral Adjunto de Utah, Jerrold Jensen.
Mas Jensen enfrentou uma linha de questionamento agressiva do Juiz Distrital Clark Waddoups, que citou a decisão da Suprema Corte Lawrence vs Texas, que discriminalizou conduta sexual entre adultos responsáveis. Jensen pareceu fazer distinção entre um homem com múltiplas amantes e alguém que pretende estar casado, como os polígamos.
"Como isso protege o casamento?", perguntou Waddoups. "Como você acredita que adultos responsáveis assumindo um compromisso uns com os outros é prejudicial à instituição do casamento?"
Jensen disse que há abusos dentro da poligamia e o Estado tem o direito de interferir. Waddoups contra-atacou dizendo que há leis para lidar com os abusos associados com a poligamia.
"O estatuto antipoligamia lida com mais do que adultos responsáveis", Jensen disse aos repórteres do lado de fora do tribunal. "Toda vez que você tem uma união polígama, você tende a ter crianças. Crianças se tornam parte da equação. Eles são muito mais um fator nisso e muitas das histórias de terror envolvendo a poligamia tendem a envolver crianças".
Há um número estimado de 30 mil polígamos em Utah e em suas redondezas, a maior parte fundamentalistas mórmons que acreditam que a poligamia é um princípio religioso.
Turley disse que os Brown não estão buscando licensas de casamento ou a legalização de seus relacionamentos, mas não serem incomodados pelo Estado. Ele notou que a lei antipoligamia de Utah é única porque as leis de bigamia de outros Estados lidam apenas com licenças de casamento. A lei de Utah, que data da época em que o território precisou abandonar a poligamia como condição para se tornar um Estado, criminaliza relacionamentos.
"Eles estão falando sobre minha vida", disse Valerie Darger, uma esposa de uma família polígama, em entrevista à emissora de TV local FOX 13. "A diferença sobre o que estamos pedindo é o direito de existir e o direito de não sermos incomodados. Estamos buscando licenças de casamento e, assim, no que se refere ao casamento legal, isso realmente não interessa".
Darger e sua "sister wife", Vicki, estiveram presente na audiência. Também estiveram ativistas antipoligamia como Kristyn Decker, uma ex-esposa polígama que deixou um relacionamento 11 anos atrás. Ela fundou um grupo que se opõe à poligamia e liderou um protesto para chamar atenção aos abusos de casamentos com crianças dentro de algumas comunidades polígamas.
"Sentimos que se descriminalizarem a poligamia, as violações dos direitos humanos que têm acontecido por tanto tempo, vão continuar", disse Decker.
O Juiz Waddoups levou em conta os argumentos e não disse quando tomaria uma decisão. Ambos os lados disseram que apelariam de qualquer decisão ao 10º Tribunal de Apelações em Denver. Observadores legais disseram á FOX 13 que o caso provavelmente iria até a Suprema Corte dos EUA para consideração.
Na noite de quinta-feira, Kody Brown divulgou um comunicado através de seu advogado, dizendo:
Em nome de toda a família Brown, quero agradecer ao Juiz Waddoups por essa oportunidade de argumentar os méritos de nosso caso. Entendemos que esse é um momento histórico para todas as famílias plurais e estamos honrados por servirmos demandantes nesta ação. Somos especialmente gratos pelo apoio de nosso advogado, o Professor Jonathan Turley, Adam Alba, os estudantes da Universidade George Washington, e os muitos apoiadores que têm se levantado ao nosso lado durante o curso dessa litígio. Tem sido difícil para nós e estamos aliviados por ver o caso chegar aos argumentos finais. Permanecemos comprometidos com esta causa de direitos civis e com a luta de famílias plurais, tanto religiosas quanto não-religiosas, no Estado. Esperamos que os moradores de Utah possam entender que nossa família – como dezenas de milhares neste Estado – está buscando apenas permissão para viver de acordo com suas crenças e não ser declarados criminosos apenas porque somos diferentes.Com informações da emissora de TV FOX 13.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Poligamia em questão
A poligamia é uma alternativa para combater os males sociais como a prostituição e a infidelidade conjugal - pelo menos essa é a opinião dos seguidores do Clube de Poligamia Ikhwan da Malásia.
Fonte: Agence France-Presse
Fonte: Agence France-Presse
sábado, 12 de janeiro de 2013
Uma excelente investigação sobre a poligamia
Blaine Robinson escreveu um relato detalhado sobre a poligamia na história, religião e política. Você pode ler o artigo original em inglês no link http://www.blainerobison.com/concerns/polygamy.htm.
Blaine fala sobre a poligamia no mundo, nos EUA, na Bíblia, no judaísmo, no catolicismo e no protestantismo. Sua seção dedicada a responder as objeções mais comuns à poligamia (é ilegal, é danosa, é imoral) é especialmente ótima.
Eis o parágrafo de abertura do artigo:
Blaine fala sobre a poligamia no mundo, nos EUA, na Bíblia, no judaísmo, no catolicismo e no protestantismo. Sua seção dedicada a responder as objeções mais comuns à poligamia (é ilegal, é danosa, é imoral) é especialmente ótima.
Eis o parágrafo de abertura do artigo:
A poligamia se tornou um assunto quente na América devido a vários processos judiciais que contestam proibições constituições estatais da prática e os crescentes números de famílias polígamas nos Estados Unidos. Alguns conservadores cristãos tem se unido com secularistas para atacar a poligamia como um comportamento aberrante e imoral, comparando polígamos com homossexuais. Esse artigo representa minha própria investigação da polígamia em seu contexto histórico, bíblico e contemporânio para ajudar cristãos a entender melhor a questão.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Novo procurador-geral de Utah não vai processar praticantes de poligamia consensual
O procurador-geral eleito do estado norte-americano de Utah disse que não tem planos de processar adultos responsáveis que praticam a poligamia, mas ele é a favor da lei que torna a poligamia crime.
John Swallow, que vai tomar posse dia 07 de janeiro, disse ao jornal The Salt Lake Tribune que está preocupado sobre abuso doméstico, fraude e abuso infantil, mas, como procurador-geral, não vai processar "parceiros [polígamos] cumpridores da lei".
Em todos os Estados Unidos, há cerca de 38.000 pessoas em relacionamentos polígamos, muitos em Utah.
Swallow disse que Utah não pode se dar ao luxo de processar todos os que participam de casamentos polígamos ou lidar com as consequências desses relacionamentos, acrescentando que vai continuar com as políticas sobre poligamia de seu antecessor, Mark Shurtleff.
Swallow disse que vai defender a contestação da proibição da poligamia no Estado.
Alguns ativistas anti-poligamia dizem que o Estado poderia fazer mais para lutar contra os abusos dentro de grupos polígamos.
"Eu definitivamente tenho sentido frustração e raiva do que eu sinto que tem sido ignorado por tempo demais: (...) o abuso sob a forma e nome da religião", disse Kristyn Decker, que passou sua infância na denominação Irmãos Apostólicos Unidos e escreveu o livro "50 Years in Polygamy".
John Swallow, que vai tomar posse dia 07 de janeiro, disse ao jornal The Salt Lake Tribune que está preocupado sobre abuso doméstico, fraude e abuso infantil, mas, como procurador-geral, não vai processar "parceiros [polígamos] cumpridores da lei".
Em todos os Estados Unidos, há cerca de 38.000 pessoas em relacionamentos polígamos, muitos em Utah.
Swallow disse que Utah não pode se dar ao luxo de processar todos os que participam de casamentos polígamos ou lidar com as consequências desses relacionamentos, acrescentando que vai continuar com as políticas sobre poligamia de seu antecessor, Mark Shurtleff.
Swallow disse que vai defender a contestação da proibição da poligamia no Estado.
Alguns ativistas anti-poligamia dizem que o Estado poderia fazer mais para lutar contra os abusos dentro de grupos polígamos.
"Eu definitivamente tenho sentido frustração e raiva do que eu sinto que tem sido ignorado por tempo demais: (...) o abuso sob a forma e nome da religião", disse Kristyn Decker, que passou sua infância na denominação Irmãos Apostólicos Unidos e escreveu o livro "50 Years in Polygamy".
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